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Editorial

Taxistas versus aplicativos

30/10/2017 às 22:19
Show uber 123

Hoje é um dia decisivo para usuários e motoristas de aplicativos de transporte individual de passageiros. O Senado Federal avalia uma proposta de regulamentação que, se for aprovada sem mudanças, pode inviabilizar esses serviços no País. Provavelmente, os senadores vão jogar para a torcida, e a torcida pró-aplicativos é grande. Só no Uber, meio milhão de motoristas conseguem renda, prestando serviço para 17 milhões de usuários. O sucesso se deve a um motivo simples: o menor custo da corrida.

Inviabilizar um serviço tão popular em ano pré-eleitoral é algo que os senadores certamente vão avaliar com muito cuidado.

Uma postura digna, não apenas do Senado, mas também dos deputados federais, seria elaborar uma regulamentação equilibrada. Provavelmente, o projeto será alterado para termos mais racionais, promovendo uma regulamentação justa e razoável. Os municípios ganhariam com a tributação sobre o serviço, os motoristas teriam segurança jurídica para trabalhar, e os usuários continuariam tendo uma opção cômoda e barata de transporte individual.

E como ficariam os taxistas? Eles sobreviveriam, como sobrevivem em todos os países onde o Uber opera. É preciso reconhecer que os dois serviços - táxis e aplicativos - têm características distintas. Taxistas que tentaram migrar para o Uber perceberam que não dá para ter a mesma renda com o serviço do aplicativo e acabaram retornando para o taxi. Como complemento de renda, o Uber, assim como outros serviços por aplicativo, funciona muito bem. Mas para ter rendimento equivalente ao de um taxi, os motoristas de Uber precisam rodar bem mais e parte dos ganhos são engolidos pelo alto custo do combustível.

Como oferecem corridas mais baratas, os aplicativos acabam ficando, sim, com uma parte da clientela que antes era dos taxis. Mas isso não fará os taxis desaparecerem. Taxistas e empresas de taxi terão, por outro lado, que se modernizar, oferecer serviços melhores, mais cômodos e, principalmente, mais baratos. Os taxistas deveriam concentram suas energias na luta por melhorias para sua própria categoria, com redução da burocracia e melhores condições para aquisição de veículos. Não podem apostar que os aplicativos serão inviabilizados pelo Legislativo, o que seria um retrocesso.