Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
Editorial

Tentativa de reunificação


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01/06/2020 às 08:45

“O que nos resta de democracia e de respeito constitucional está se esvaindo de forma veloz enquanto o fascismo avança”. O trecho extraído do Manifesto pela unidade antifascista divulgado neste domingo exprime a razão do documento. Assinam a declaração mais de 600 representantes de importantes setores da sociedade brasileira, de diferentes correntes do arco progressista, professores, pesquisadores, jornalistas, artistas, médicos, ativistas dos direitos humanos numa lista que representa milhares de brasileiros e pede união em defesa do Brasil.

A convocação é para a concertação de todas as forças que têm no respeito à democracia como espaço de convivência a base de suas atuações. O manifesto se apresenta como primeiro ato concreto para tentar reunificar a sociedade após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. 

Os sistemáticos ataques às instituições e às autoridades que compõem a Suprema Corte do País e ao Congresso Nacional se somam ao frequente constrangimento a pessoas contrárias e críticas às ações governamentais. Nas ruas, jornalistas são agredidos e seu exercício profissional vetado.A chamada, no manifesto, por uma concertação reativa as vozes da cidadania em torno da defesa maior e mais importante, a democracia e a necessidade de fortalece-la como princípio e prática, deve ser reconhecida e aprendida pelos mais moços.

O Brasil, dia após dia, caminha para a supressão dos direitos democráticos sob o argumento de manutenção da lei e da ordem. É uma repetição da história recente no País e na América Latina. É pela garantia da institucionalidade, da interdependência dos poderes Executivo, Legislativo e do Judiciário, dos direitos assegurados constitucionalmente aos brasileiros e do respeito no trato dos bens públicos – dever primeiro do Governo – que a convocação nacional feita nesse documento se justifica. O Brasil é maior e os brasileiros são instados a dizer não ao plano de derrocada do País como uma Nação livre. 

Não por acaso, ontem foi noticiada mensagem em que o ministro do STF Celso de Mello, dirigindo-se a colegas da corte, compara o Brasil de hoje à Alemanha nazista e alerta: "É preciso resistir à destruição da ordem democrática, para evitar o que ocorreu na república de Weimar quando Hitler, após eleito pelo voto popular e posteriormente nomeado pelo presidente Paul von Hildenburg como chanceler da Alemanha, não hesitou em romper e em nulificar a progressista, democrática e inovadora constituição de Weimar, impondo ao país um sistema totalitário de Poder".


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