Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
Editorial

Tombo histórico


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05/03/2021 às 08:12

Foi-se o tempo em que o Brasil exibia, orgulhoso, a posição de oitava economia do mundo. No início da década passada, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro superava a de potências econômicas como Espanha e Canadá. A oitava posição foi perdida em 2016, mas a expectativa em 2019 era que voltasse ao posto em 2020. Mas havia uma pandemia no meio do caminho. A crise sanitária mundial afetou as economias de todas as nações em diferentes graus, mas o efeito no Brasil tem sido devastador.

O tombo histórico de 4,1% revelado recentemente pelo IBGE mostra o tamanho do desafio que o País terá pela frente no cenário pós-pandêmico. Para piorar, tal cenário ainda está imerso em projeções incertas. Não é possível afirmar neste momento quando a pandemia estará efetivamente controlada no Brasil. O panorama atual é o pior possível, com recordes diários de novos casos e óbitos, obrigando vários estados a endurecerem as medidas de distanciamento social, a despeito de protestos da classe empresarial. Especialistas concordam que a crise tende a se alongar diante da descoordenação completa entre os Estados, uma vez que o governo federal se recusa a tomar as rédeas do enfrentamento da pandemia.

A falta de coordenação, associada a interferências desastradas em segmentos estratégicos da economia passam uma péssima mensagem para investidores estrangeiros. Há o sério risco de que o País passe a ser visto como um ambiente perigoso para os negócios, resultando em uma fuga de investimentos que pode já ter começado.

Para reverter essa situação, não basta mudar discursos e lustrar a imagem. É preciso mudar de atitude. O País necessita de unidade na estratégia de imunização, que exige maior celeridade e transparência. A vacinação em massa deve ser a prioridade máxima, aliada às medidas de distanciamento. Vamos precisar parar um pouco antes de voltar a crescer. É com essa receita que vários países estão vencendo a pandemia. Por enquanto, esse é o único caminho a seguir. Paralelamente, o País precisa traçar uma estratégia de retomada econômica para fazer frente às dificuldades que virão. Se essas providências forem tomadas com competência, quem sabe, até o final desta década, o País volte a figurar entre as dez maiores economias do mundo.


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