Terça-feira, 11 de Agosto de 2020
Editorial

Trabalhadores por APPs reagem


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03/07/2020 às 08:20

O primeiro dia de julho apresentou ao Brasil e ao mundo, em versão ampliada, manifestação de protesto e de reivindicação de uma categoria de trabalhadores cada vez mais exigida pela sociedade atual, a de trabalhadores por aplicativos e entregadores. A estimativa oficial é de 38 milhões de brasileiros trabalhando nessa modalidade mais recente de emprego no mundo.

No dia 1º, eles foram às ruas das capitais brasileiras para dizer aos empresários da área que merecem mais atenção. É necessário criar bases legais e físicas para estabelecer regras mais sólidas na relação de convivência entre esses trabalhadores e a empresas que os contratam. Alguns procedimentos legais foram adotados, mas a maioria de fato desenvolve as atividades sem qualquer cobertura legal e observância de direitos básicos.

Os trabalhadores por aplicativos estão descobrindo pela dor o tamanho do abandono a que estão submetidos e, nessa descoberta, as mudanças produzidas pelo contemporâneo se cruzam com práticas de exploração datadas no passado, em outros séculos, agora revigoradas com nomes novos sem mudar a essência. A tendência, apontada por várias sondagens, é de crescimento desse tipo de trabalho. Se não houver mais organização e determinação por parte dos novos operários, seguirão como trabalhadores em precarização aguda, ou seja, mais uma parcela de brasileiros no subemprego.

São jornadas de até 18 horas seguidas, riscos de todas as ordens e contratos, na maioria, superficiais que desfeitos não garantem direitos. O desafio desses trabalhadores dos tempos modernos é compreender como a inovação do capital opera e que papel desempenham nela, como se constituírem uma força organizada e geradora de pressão para que as representações do ente Estado se posicionem e estabeleçam condições mais transparentes e de maior proteção à categoria.

O primeiro ato de caráter nacional, ocorrido na última quarta-feira, expôs entre coletes, capacetes, caixas térmicas, motocicletas, máscaras e faixas algumas situações, colocou a pauta dos trabalhadores por aplicativos nas ruas. As empresas contratantes, já organizadas numa associação nacional, responderam, via o órgão representativo, de forma generalizante.  Não é suficiente e está com o judiciário e o legislativo a outra parte da ação que envolve perceber esse contingente de trabalhadores, dialogar e propor condições mais decentes no desempenho da atividade.
 


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