Sábado, 17 de Agosto de 2019
Editorial

Trabalho infantil é problema sério


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21/07/2019 às 06:53

Quando se fala de trabalho infantil é preciso ter cautela para não cometer um equívoco que se tornou frequente nos últimos dias. Não se trata, é claro, do menor de classe média que ajuda os pais no negócio da família, ou que vende trufas no cursinho de inglês para complementar a mesada. Tampouco se deve recriminar tais atividades. 

O trabalho, como diz o ditado popular, dignifica a pessoa. É importante que o jovem, desde cedo, compreenda o valor do seu próprio labor, desenvolva noção de empreendedorismo e aprenda a gerir seus próprios recursos. O conceito de trabalho infantil é algo muito mais específico e cruel. Refere-se a crianças em famílias geralmente paupérrimas, obrigadas a trabalhar para ajudar no sustento da casa, expondo-se a situações de risco extremo, sujeitas a todo tipo de violência, com prejuízo da atividade escolar.

E ainda que alguns, num contorcionismo retórico, tentem romantizar essa situação terrível, a verdade está exposta nas ruas e nas estatísticas.  Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que no Amazonas há pelo menos 49 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, índice que pode chegar a 64 mil, uma vez que o instituto não leva em conta o trabalho doméstico e o trabalho de subsistência como formas de trabalho infantil. O resultado do Estado é o segundo pior da região Norte.

Os que insistem em negar os dados oficiais podem verificar o cenário pessoalmente. O Ministério Público do Trabalho (MPT) percorreu 80 ruas em todas as zonas da cidade e identificou que 78% dos menores encontrados em situação de trabalho infantil concentram-se na Zona Leste de Manaus, principalmente no bairro Colônia Antônio Aleixo, seguido de 18% na Zona Norte e 4% na Zona Sul.

O trabalho infantil é real. Um problema social gravíssimo que precisa ser combatido e não varrido para baixo do tapete. Não se trata de “coitadismo”, mas de uma situação séria que exige ação imediata e estruturada, não apenas do poder público, mas de toda a sociedade. 

Trabalhos como o da organização não governamental “Pequeno Nazareno”, que atua na restituição social de crianças e adolescentes em condição de trabalho infantil, podem servir de modelo para programas oficiais. O País precisa compreender que investir nas crianças e adolescentes hoje resultará em uma sociedade mais justa e igualitária no futuro.


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