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Editorial

Tráfico internacional de pessoas

29/07/2016 às 21:33
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Em pleno século XXI, o mundo ainda convive com um dos crimes mais hediondos segundo a definição de diversos países. O tráfico humano - sobretudo com fins de exploração sexual - movimentou mais de US$ 31,6 bilhões de dólares no comércio internacional no ano passado, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho, órgão das Nações Unidas. Trata-se de um tipo de escravidão. As pessoas, geralmente moças jovens e bonitas, são ludibriadas com a falsa promessa de empregos bem remunerados no exterior. Uma vez em território estrangeiro, as mulheres são obrigadas a se prostituir para sobreviver, sem qualquer controle sobre a própria vida, senso submetidas à uma das situações mais degradantes possíveis. Uma das intenções dos investigados era reter os passaportes das dançarinas para obrigá-las a viajar com o grupo. A prática acontece desde 2004 em Manaus.

O fato de ser prática classificada como violação dos direitos humanos por convenções internacionais e sujeita a uma diretiva da União Europeia não é suficiente para frear a atividade criminosa.  Não existem estatísticas concretas.  Em 2008, as Nações Unidas divulgaram um relatório estimando que aproximadamente 2,5 milhões de pessoas de 127 países diferentes estavam sendo traficadas para 137 países ao redor do mundo. Em 2012 a OIT estimou que 20,9 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado.

Preocupa o risco de que Manaus esteja na rota do tráfico internacional de pessoas. Os resultados da Operação Salve Jorge indicam nessa direção, o que exige ação imediata das autoridades competentes e uma resposta forte de toda a sociedade contra a atrocidade.

É  preciso reconhecer o ótimo trabalho da Polícia Federal, que comprovou, por meio de investigações a execução de esquema de recrutamento de jovens que seriam escravizadas em países como China e Coreia do Sul. Suspeitos foram presos, mas é preciso saber a exata dimensão do esquema. Há quanto tempo jovens amazonenses  vêm sendo traficadas? Em que outros Estados o grupo atuava? Os suspeitos presos em Manaus são líderes ou apenas peões em um esquema muito maior? São respostas que precisam vir à tona. A polícia investiga outros grupos para buscar essas respostas. O caso exposto ontem é, também, um alerta para os pais e para os jovens. Viagem com promessa de dinheiro  fácil é sempre muito suspeito.