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Editorial

Tragédia anunciada

27/12/2016 às 21:25
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O acidente desta terça-feira em Manaus, quando a forte chuva causou o desabamento de uma casa, matando quatro pessoas, foi uma tragédia anunciada. Infelizmente, é a repetição de um cenário que ocorre ano após ano. Chega o período de chuvas e muitas famílias sofrem com alagamentos, perdendo bens conquistados com sacrifício e colocando a vida em risco por morar em áreas sujeitas a inundações.

Essa situação é causada por uma série de fatores históricos: ocupação irregular das margens de igarapés e encostas, com remoção da cobertura vegetal que dava sustentação ao solo; ausência de um sistema eficiente de drenagem nas ruas; ausência de um programa sério de habitação; descaso do poder público que se limita a combater as consequências e nunca as causas de tragédias como a de ontem.

Tarde demais para as irmãs Samile, Samiele e Sâmila Costa Castro, de 14, 10 e 8 anos respectivamente, e para a mãe delas, Maria do Socorro, 42, que morreram soterradas após um barranco desabar sobre a residência delas no bairro Nova Vitória, Zona Leste. A área é um exemplo de ocupação irregular, com inúmeras casas em situação de risco.

Entram e saem gestores e o problema é apenas empurrado com a barriga

O crescimento desordenado da cidade não respeitou os igarapés que cortam a capital  nem o relevo acidentado da periferia. Casas são construídas sem qualquer critério em qualquer lugar, pondo em risco a vida dos próprios moradores. Tem sido assim desde sempre e vai continuar da mesma forma a menos que providências sérias sejam tomadas.

Uma solução definitiva passa pela retirada de pessoas da beira de igarapés - e outras áreas de risco como encostas e fundos de vales - e adoção de medidas que impeçam a reocupação dessas áreas. Em um mundo perfeito, a vegetação destruída das margens seria recomposta e os igarapés seriam motivo de orgulho para a capital.

Além disso, o problema habitacional de Manaus precisa ser encarado com seriedade. Os programas de casas populares para atender a população que luta por moradia digna não podem ser instrumentos políticos para beneficiar apadrinhados, mas iniciativas que beneficiem, de fato, quem realmente precisa. Do contrário, novas tragédias ocorrerão.