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Editorial

Tragédia nacional, uma reflexão

28/05/2016 às 23:52
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O possível estupro da jovem de 16 anos numa das favelas mais barra-pesada do Rio de Janeiro por 33 homens é daquelas tragédias anunciadas em nosso País, onde a cultura machista, estimulada por todos os segmentos da sociedade, temos ai um ministério formado só por homens, faz com que sejam recorrentes este tipo de caso.

No entanto, embora corriqueiro e que leve a dor a 11 lares a cada dia no País, o que mais chocou neste caso do Rio foi a desfaçatez dos facínoras, que tiveram o despudor de filmar a jovem desnuda, sangrando e sofrida e ainda com uma narrativa canalha e sem o mínimo de atenção pela dignidade humana.

Os machistas de plantão novamente invocaram os argumentos cínicos de sempre e que acabam por transformar  a vítima da violência em responsável pelo crime. Coisas de País machista.

Mas é sempre bom refletir sobre tragédias assim e tentar descobrir como elas acontecem e se multiplicam por todo o País, lembrando o caso recente de uma família manauara em que o pai e dois irmãos estupravam costumeiramente as filhas/irmãs por anos a fio num lar que, certamente, contava com o silêncio e o medo da mãe para se manter neste desequilíbrio.

O caso de Manaus só foi descoberto porque uma das vítimas, instigada pela pedagoga da escola, revelou a trama macabra de pai e irmãos, demonstrando assim a importância das estruturas do Estado estarem atentas para o que ocorre numa sociedade cujo estupro é um crime subnotificado.

Voltando ao caso do Rio de Janeiro, que deveras segue em investigação pela autoridade policial, que por temor ou rigor profissional ainda não usa o termo estupro no caso, choca também o fato de a favela ser o palco de violências cada vez mais brutais, posto que essa balada dos infernos acontecia sob os auspícios e cuidados de um traficante batizado de Mareta.

 Este personagem, que promove bailes funks animados  com o que há de pior neste ritmo dos guetos, também entrou em cena no caso do estupro coletivo, mas não para denunciar ou punir a violência de um  crime que em todas as cadeias do mundo corresponde a uma sentença de morte para os estupradores  capturados, mas sim para questionar os envolvidos sobre  por quais razões ele não foi procurado para autorizar o inferno na vida da jovem de 16 anos. Enfim, muitas reflexões ensejam este caso, este drama da vida Nacional.