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Editorial

Transparência

30/05/2016 às 21:44
Show jc temer politicos foto jose cruz01105242016

Hoje (31), o presidente interino, Michel Temer, completa 20 dias à frente da Presidência da República, e o principal problema de sua gestão, até agora, tem sido sua própria equipe de ministros. Logo que o time foi divulgado, saltou aos olhos da nação o fato de que sete dos novos ministros eram citados no âmbito da Operação Lava Jato. Em rede nacional, o presidente defendeu seus subordinados invocando a presunção de inocência. Ele não contava com a tenacidade do ex-diretor da Transpetro, Roberto Machado, em permanecer fora da cadeia. 

Em apenas 20 dias, Machado mostrou-se bastante afiado. Foram divulgadas gravações com altas autoridades da República quando o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência ainda era apenas uma hipótese. O primeiro a cair foi o ministro Romero Jucá, da pasta do Planejamento. 

A saída de Silveira foi uma derrota um pouco mais amarga para o governo, afinal, o ministério da Transparência é uma espécie de símbolo do comprometimento do atual governo com o combate à corrupção no País. Bem que merecia a adoção de critérios mais rígidos na escolha do comandante. 

Temer continua pagando o alto preço por ter aceitado, sem resistência, as indicações dos partidos aliados na composição dos ministérios. Pessoas citadas em delações ou investigadas pela Justiça jamais poderiam ocupar cargos tão importantes no Governo, sobretudo no momento delicado pelo qual passa o País, enfrentando o maior escândalo de corrupção de sua história. Da mesma forma, cuidados redobrados deveriam ter sido tomados com indicações de políticos diretamente envolvidos nas investigações, caso de Renan Calheiros, padrinho político de Silveira e que, agora, tenta desligar sua imagem do ex-ministro. 

Aí está mais um triste episódio que poderia ter sido evitado pelo governo de Temer. O que se passou com Romero Jucá e, agora, com o ex-ministro da Transparência, era facilmente previsível, mas foi um risco que Temer preferiu correr. E por isso pode estar bastante arrependido. E preocupado. Ao que tudo indica, as gravações de Machado ainda não foram todas divulgadas. Novas surpresas podem surgir a qualquer momento, o que deixa o governo com as “barbas de molho”. Não há o que fazer, a não ser esperar. 

Com esse ministério que aí está. Temer tem muito a temer.  

Foto: Foto: José Cruz/ Agência Brasil