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Editorial

Transporte alternativo sem controle

22/07/2016 às 20:51
Show show amarelinhos

O transporte alternativo é uma solução a milhares de usuários prejudicados pela ineficiência do transporte público regular. Micro-ônibus e táxi-lotação ganharam espaço de exploração desse serviço exatamente nas áreas em que o serviço de ônibus não consegue atender a demanda. Até aí é um recurso que evite o estouro do sistema e possibilita a esse grande número de usuários ir e vir diariamente.

Estranho embora essa seja uma realidade antiga é a falta de fiscalização sobre a forma de funcionamento dos transportes alternativos. Os motoristas atuam como donos absolutos do espaço público: fazem paradas em qualquer lugar e dirigem como se não devessem prestar atenção por onde passam; assustam as pessoas, as submetem a recuos inesperados para não serem atropelados; e ignoram, na maioria das vezes, a legislação de trânsito. Os dirigentes de cooperativas desses transportes parecem não se importar com tanto desmando e, da parte do poder público, a lentidão ou a ausência contribuem para manter o vale tudo.

Até quando será dessa forma? Por que o transporte alternativo tem que funcionar como dessa maneira? A cidade e os usuários desse tipo de serviço estão desprotegidos. Em zonas onde o uso do alternativo é recorrente, como ocorre na parte Leste de Manaus, os abusos são repetidos várias vezes por dia e em diferentes pontos. Agressões a passageiros, acidentes, promoção do pânico e destruição de bens públicos foram transformados em atos cotidianos normais. A regra vigente é: se precisa tem que se submeter a essa violência. Se não quer se submeter, arranje outro meio de ir e vir.

A CRÍTICA mostrou em matéria publicada na edição de ontem, caderno de Cidades, uma face dessa realidade de selvageria em Manaus. A Zona Leste é a principal usuária dos alternativos, mas não a única, em outras regiões, o problema se repete. É como um selo do serviço que poderia se enquadrado às normas legais, ser de fato uma alternativa para os passageiros. A impressão é de uma relação promíscua entre os que exploram essa modalidade de transporte e os que têm a tarefa de fiscalizá-lo. As cooperativas se multiplicam, o número de veículos nas ruas cresce e o desmando permanece.