Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
Editorial

Transporte coletivo desprotegido


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18/03/2020 às 07:56

O serviço de transporte coletivo de Manaus, um dos espaços de maior aglomeração de pessoas, quer nos pontos de embarque e desembarque, quer no interior dos ônibus, deve ser urgentemente incluído nas ações de prevenção ao Covid-19. Já é conhecida, a partir de trabalhos científicos, a disseminação de doenças nesses ambientes em função do acúmulo de pessoas em espaço restrito e por tempo variado, por vezes demorado. 

Dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) estimam em 200 mil a população usuária de transporte coletivo diariamente. É para esse contingente que Prefeitura Municipal, empresários e trabalhadores do setor têm que oferecer medidas preventivas e, também, aos condutores e cobradores que estão em contato direito com essa população em jornadas longas e condições de vulnerabilidade. A frequência da limpeza dos carros, como determinam os protocolos médicos ora repassados, ainda não funciona. 

O que se percebe é uma parcela de passageiros usando máscara e álcool gel, uma minoria deles, e no geral os veículos, em determinados horários lotados, sem elementos visíveis de ter passado por higienização. É compreensível que o novo coronavirus exige condutas diferentes daquelas até então observadas pela maioria da população.

Trabalhadores, entre os quais pesquisadores e profissionais, da saúde pública, há muito reivindicam mudanças na forma de recepção e do transporte de passageiros por meio coletivo; propõem iniciativas que deveriam ser realizadas por meio de parcerias entre profissionais da saúde, da educação, da comunicação, o executivo municipal, o empresariado e o sindicato dos rodoviários para inaugurar uma política de atuação pública e de qualidade nesse segmento. Se esta existisse possivelmente hoje o comportamento seria outro e a prevenção entendida como direito e dever de todos.

Nesse momento de convivência com uma pandemia, o que deveria ser normal passa a ser urgente para criar e fazer funcionar em curto prazo dinâmicas preventivas em espaços como esses. O procedimento exige manter nos terminais recursos humanos e peças comunicativas que terão a responsabilidade de agir em ritmo rápido e busca convencer que os ouve e os ver. As direções das empresas concessionárias têm a corresponsabilidade de atuar para manter seus funcionários com margem de proteção à doença e seus negócios em bom estado. Todos precisam se sentir comprometidos.         
 


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