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Editorial

Transporte de péssima qualidade

19/01/2018 às 21:47
Show show aguilar

Um novo ano começou, mas o velho sistema de transporte urbano de Manaus continua com seus velhos problemas: ônibus sucateados, passageiros sujeitos à insegurança dentro e fora dos coletivos, tendo que pagar uma tarifa que não corresponde à péssima qualidade do serviço prestado. Todos os dias, a cena se repete: trabalhadores tentando chegar aos seus empregos, ou voltar para suas residências, tendo que descer do coletivo devido a problemas mecânicos, sofrendo atrasos desnecessários por causa das más condições dos veículos que integram o sistema de transporte público em Manaus.  

Se a Prefeitura de Manaus não toma nenhuma providência para mudar esse cenário, o Ministério Público do Estado (MPE), cumprindo seu papel constitucional, ajuizou ação civil pública para garantir a regularização, renovação e manutenção da frota de ônibus da cidade. Na ação, o órgão invoca direitos do consumidor, a quem deve ser garantido um transporte de boa qualidade, em veículos com plenas condições de operar esse serviço, proporcionando o mínimo de conforto e segurança.   

A ação também pede indenização por danos morais coletivos em face do atual estado dos veículos e solicita a proibição de reajuste no preço da tarifa neste ano. Nada mais justo. É uma pena que as empresas de ônibus tenham que ser instadas pela Justiça para cumprir com obrigações tão primárias. É igualmente lamentável que a Prefeitura de Manaus deixe de cumprir seu papel quando não exige a renovação da frota e a oferta de um serviço minimamente digno à população da capital.   

Ao contrário, em vez de impor sua autoridade, a Prefeitura trava um embate de fachada com os empresários, um embate em que os perdedores sempre são os usuários do sistema de transporte da cidade, que ainda convivem com as frequentes greves ou ameaças de greves, como a que estava agendada para a próxima segunda-feira, mas foi cancelada depois que Justiça determinou operação com pelo menos 70% dos ônibus nas ruas nos horários de pico.

Ressalte-se a situação dos rodoviários, que merecem, como todo trabalhador, uma remuneração digna, mas, além de mal pagos, são obrigados a operar veículos sucateados. Agora, cabe à Justiça avaliar o mérito da ação proposta pelo MPE. De qualquer forma, merece aplausos a atitude do órgão.