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Editorial

Transporte público, a outra crise

17/01/2017 às 21:02
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A prevalência do bom senso no conflito entre trabalhadores do transporte público, empresários, a Prefeitura de Manaus e  a Justiça durou pouco. Para usuários do sistema as primeiras horas da terça-feira foram de agonia. Na Zona Leste da cidade milhares de passageiros foram surpreendidos com paralisação dos  ônibus que cobrem aquela região, uma das mais movimentadas.

O cabo de guerra está esticado. A Justiça ao posicionar-se favoravelmente, há dois dias, à ação civil pública impetrada pela Procuradoria-Geral do Município, determinou que cem por cento da frota fosse mantida em circulação. E no caso de não cumprimento a cobrança de multa diária de R$ 100 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus.

Ontem,  uma multidão de pessoas ficou pelos pontos de ônibus. Os trabalhadores querem o pagamento do dissídio coletivo do ano passado sub judice no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Ao mesmo tempo que já tentam, como é regra, negociar o acordo coletivo de trabalho desse ano. Enquanto o processo se arrasta e a Justiça retarda a tomada de posição que possa chegar a um consenso entre as partes, são os usuários do transporte coletivo os mais prejudicados.

Descobrem nos pontos de ônibus que há paralisações e a maioria acaba não conseguindo chegar ao trabalho ou ao destino programado. Na Zona Centro-Sul, centenas de passageiros permaneciam até às 9h sem acesso ao ônibus.

O judiciário que ora  é o árbitro desse confronto precisa  avançar para resoluções que possibilitem um entendimento entre as partes. O setor de transporte público há muito foi envolvido em disputas politico-eleitorais que afetam duramente a vida da população de Manaus. Reduzir, se não é possível impedir, o efeito desse jogo é uma das tarefas urgentes. No ano passado, logo após o término das eleições municipais, os usuários de ônibus público foram surpreendidos com o reajuste no valor da tarifa; os trabalhadores desse setor vivem situações pavorosas com os assaltos, depredações, agressões e mortes dentro dos veículos e têm o dissídio do ano passado colocado à espera de uma decisão final da Justiça sem data para acontecer.

Se entre o órgão responsável da política de transportes públicos da Prefeitura de Manaus e os sindicatos das empresas e dos trabalhadores não há condições de acordar uma proposta decente que a Justiça assim o faça em nome dos interesses da população.