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Editorial

Turismo com experiência amazônica

23/06/2018 às 14:27 - Atualizado em 23/06/2018 às 14:55
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O turismo é uma das eternas potencialidades da região amazônica que nunca se realiza, ficando apenas no potencial mesmo. Não faltam opções a serem desenvolvidas: além das cachoeiras em Presidente Figueiredo, das praias em Maués e da pesca esportiva em Barcelos, há um mundo de possibilidades a serem exploradas, aproveitando belezas naturais capazes de transformar o Amazonas em uma das principais potências turísticas do mundo. 

Daí a importância de iniciativas como a que está sendo desenvolvida nas regiões do Médio e Alto Rio Negro, entre as cidades de Santa Isabel e São Gabriel da Cachoeira, no Norte do Estado. Trata-se de um projeto turístico de base comunitária pioneiro, que aproveita o apelo cultural de comunidades indígenas ribeirinhas, oferecendo ao visitante uma experiência única de imersão no modo de viver desses amazonenses. Para os ribeirinhos, a atividade é uma forma de gerar renda e de fortalecer a conservação ambiental. É a Amazônia fazendo turismo com o que tem de melhor: a própria Amazônia.

Um dos diferenciais desse projeto é que se trata de uma iniciativa dos próprios ribeirinhos, com participação de diversas instituições como Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn),  Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas (Acir) e  pelas  organizações não-governamentais Instituto Socioambiental (ISA) e Garupa, com o apoio da   Fundação Nacional do Índio (Funai) e das prefeituras locais.

Para que iniciativas como essa tenham sucesso, é preciso apoio do poder público - e não de forma oportunista e com objetivos eleitorais, mas como política séria de desenvolvimento. Especialistas dirão que é preciso planejamento estratégico em torno do turismo amazônico; planejamento integrado, com previsão de investimentos bem definidos e considerando os diversos aspectos envolvidos. É preciso também preparar os locais para receber os visitantes e resolver velhos gargalos de infraestrutura que dificultam a logística de transporte. 
Esforços como o projeto no Alto Rio Negro precisam ser identificados e apoiados. É necessário que o desenvolvimento do turismo no Amazonas seja tratado como política estratégica de estado e não apenas de governo.