Domingo, 21 de Julho de 2019
Editorial

Um bom sinal


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11/07/2019 às 07:52

Finalmente, o segmento de motocicletas apresenta sinais  consistentes de recuperação. A produção de motos na Zona Franca de Manaus cresceu 8,4% no primeiro semestre, um desempenho diretamente relacionado ao crescimento da demanda nacional e da alta na concessão de crédito para o varejo.  Lideranças da indústria estão otimistas, mas, ao mesmo tempo, apreensivas. Os dados são bastante positivos, principalmente considerando que o setor de duas rodas caminha em marcha lenta há alguns anos devido aos efeitos severos da crise econômica que ainda se fazem sentir nos dias de hoje.

Os números do setor de duas rodas são sinal inequívoco que o mercado vem se ajustando e tende a voltar a crescer, um processo que pode ser acelerado por meio de medidas pontuais de estímulo por parte dos governos federal e estadual. Os números que serão melhor detalhados hoje pela Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo) são a luz no fim do túnel que o setor espera há muito tempo. Resta aguardar os próximos meses para confirmar o movimento de retomada na produção em função de uma melhora nos demais indicadores econômicos como nível de emprego e aquecimento do varejo.

É preciso, porém, certa cautela, sobretudo devido ao constante “fogo amigo” que tem atingido a Zona Franca com mais intensidade nos últimos meses. Medidas governamentais que atingem determinado segmento do modelo amazonense não têm efeitos limitados a esse setor, repercutem em toda a indústria incentivada de Manaus. É um risco de grandes investidores costumam evitar, a chamada insegurança jurídica. A mesma caneta que assina decretos reduzindo da noite para o dia incentivos do setor de concentrados pode fazer o mesmo em relação às motocicletas. Sabedores dessa condição, lideranças da indústria pressionam, juntamente com a classe política local, pelo afastamento definitivo dessa ameaça causada pelo próprio governo federal.

Isso sem falar nos possíveis efeitos, ainda em estudos, para a Zona Franca e toda a economia brasileira, da abertura do mercado doméstico para importados “sem similar nacional”.

De qualquer forma, os dados da Abraciclo são um alento e despertam otimismo. Esse otimismo tende a aumentar com a breve aprovação da reforma da Previdência – supondo que o texto final seja mais aprimorado e justo que o atualmente em discussão. Enfim, um bom sinal.


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