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Editorial

Um caso lamentável

02/12/2016 às 23:29
Show pol tico033

O velho adágio romano ensina que “à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta” deveria ser a primeira lição que um candidato a homem público aprendesse para  a partir dai entrar no mundo em que o coletivo deve vir primeiro que o pessoal.

Muitos foram os políticos derrubados por não seguirem o brocardo, simplesmente o desprezaram e a partir disso construíram a própria ruína no que tange a carreira política. Uma vez que a imagem se desgasta, nunca mais ela será a mesma que garantiu o sucesso inicial na vida pública.

Pois A CRÍTICA mostra hoje um caso clássico de um político, o vereador  Walfran Torres (PTN), que acabou traído por não entender o significado da transparência que o ditado ensina.

Pego no contrapé empregando uma assessora analfabeta, no mais alto nível de salário, ele desdenha da opinião pública ao dizer que ela tinha expertise nas conversas políticas e que nada havia de errado ao fazê-lo. Engana-se redondamente, pois o trabalho exigia competências que a pessoa não alfabetizada comprovadamente não tinha.

O caso fica ainda mais obscuro porque logo após ser contratada, sabe-se lá como assinou a portaria de nomeação, a  assessora passa uma procuração para um outro assessor do vereador - este irmão de um deputado estadual - com o objetivo dele fazer a movimentação financeira dela. E essa movimentação não foi pequena: Somando todo o  tempo em que ela esteve lotada no  gabinete de Walfran Torres a remuneração alcançou  R$ 132,6 mil, fora as vantagens que são inerentes a esse tipo de cargo.

 Walfran Torres, ao negar a ilegitimidade dessa nomeação, não fica sozinho nessa pantomima pública, posto que é o vice-líder do prefeito Arthur Neto (PSDB) na câmara e participa das principais decisões da gestão nas questões Legislativas. Arrastou também o deputado estadual David Almeida, um dos virtuais candidatos ao cargo de presidente da Assembleia Legislativa, ao conceder que a procuração da assessora fosse concedida ao irmão dele.

Ao final e ao cabo, essa manobra levanta a suspeita grave de que o salário pago a ela não tenha ido parar efetivamente nas mãos dela, um golpe que é tradicional na política brasileira e que já foi identificado em quase todas as casas Legislativas. Lamentável!