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Editorial

Um caso para refletir

11/11/2016 às 22:26
Show bolsa kkk

O Brasil é um dos países mais desiguais, socialmente falando, do mundo. A diferença de renda entre os que têm mais e os que têm menos é do tamanho de um buraco negro e apesar disso poucas foram as iniciativas na história do País que buscaram reduzir este abismo.

Uma das mais importantes, polêmicas e efetivas foi certamente o programa Bolsa Família, que conseguiu criar um ciclo virtuoso nos municípios, principalmente aqueles incrustados nos bolsões de miséria do Nordeste e Sudeste e nos rincões de Estados como é o caso do Amazonas.

Neste sentido, portanto, é que devemos ver o mais novo escândalo da praça nacional: “O Ministério Público Federal (MPF) detectou que, nos últimos quatro anos, quase R$ 90 milhões foram pagos pelo Bolsa Família, do governo federal,  para 19.697 beneficiários no Amazonas com perfis sob suspeita”. São, supostamente e se os indícios se comprovarem verdadeiros, 20 mil pilantras que não podem prejudicar os outros 500 mil amazonenses que vivem do programa, sendo 130 mil só em Manaus, a capital de um dos Estados mais ricos do País e, por assim dizer, de um dos mais desiguais.

A investigação sobre esse caso, que deu um tombo de R$ 90 milhões nos últimos quatro anos, precisa ir fundo para separar o joio do trigo, mostrar como foi possível a este universo de pessoas entrar no cadastro social e assim ter direito a um benefício que para muitos é ínfimo, mas para quem realmente precisa faz toda a diferença.

O Bolsa Família, neste sentido, precisa ser depurado, melhorado e ter seus cadastrados aperfeiçoados e postos a prova de fraudes, que tiram o pouco de quem precisa e causam, no seio social, um problema de imagem singular a uma política social efetiva.

Destaque-se também a capacidade de investigação dos membros do Ministério Público, que cruzaram dados e descobriram entre os possíveis fraudadores pessoas que já morreram, servidores públicos e parentes deles, gente que fez doação para políticos em valores superiores ao que recebem do programa e até mesmo empresários. Desse universo há de tudo um pouco, pilantras de baixo calado, profissionais dos golpes e, ao que parece, gente que usou o nome de funcionários para fraudar a legislação eleitoral doando aos seus candidatos bem mais do que permite a lei.