Segunda-feira, 10 de Agosto de 2020
Editorial

Um Conselho desorientado


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16/07/2020 às 08:27

O Conselho Nacional da Amazônia Legal tem a responsabilidade de dizer, de forma transparente, a que veio. A reunião de ontem (15), se deu diante do cenário difícil para o governo do Brasil. Dificuldades essas criadas pelo próprio governo ao decidir confrontar regras internacionalmente pactuadas pelo País após anos de negociações e de assinaturas de documentos a fim de fazer valer condições de sustentabilidade econômica com respeito ao meio ambiente. A Amazônia está no centro dos obstáculos.

Se o governo internamente, não perceber a centralidade da região nos debates e tomadas de decisão no ambiente mundial, não adiantará o conselho, desfigurado, reunir, eleger e anunciar ações que têm se mostrado ineficazes para combater o desmatamento, os assassinatos de indígenas e pequenos posseiros, o contrabando de madeira e de outros produtos minerais e fármacos, a volta das ocupações por garimpeiros e desmantelar a fixação de grupos de narcotraficantes.

É a política governamental do Brasil a principal ameaça à Amazônia. Carta de ex-ministros da Economia e da Fazenda, de governos de países europeus, relatório do Banco Mundial, manifestações de organizações de cientistas, de coletivos de movimentos históricos das comunidades extrativistas, chama atenção para o que está ocorrendo na região Amazônica e pedem providências. Enfim não faltam ao governo do Brasil material vasto para agir e posicionar o País no caminho que vinha trilhando em busca de uma governança ambiental criativa, responsável e justa.

A desestruturação de uma base mesmo com falhas que exigiam ser corrigidas, mas funcionava, arrasta a Amazônia para uma bolsa de apostas pelo pior que é aquele tipo de investimento baseado no saque, ou seja, não é investimento, é retirada contínua enquanto a marca da destruição se amplia e desapropria milhares de famílias.

O Conselho da Amazônia é cobrado a ter atitude ativa de resposta à destruição patrocinada, no entanto parece completamente atávico ao que a política do governo Bolsonaro propõe e esta tem outro compromisso. Como instância de assessoria, se permanecer apenas dizendo sim, não tem razão de ser e nem precisaria ter sido reativado. Faltam outras vozes na composição do conselho para que este não se limite a olhar e ver apenas o seu umbigo. O Brasil, nessa postura, perde oportunidade de obter investimentos, gerar postos de trabalhos, ampliar renda familiar, avançar em modelos de vida e de desenvolvimento em ambientes sustentáveis.  
  
 


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