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Editorial

Um desserviço ao país

09/05/2016 às 23:12 - Atualizado em 09/05/2016 às 23:12
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Está bastante claro que os motivos que iniciaram o processo de impeachment da presidente Dilma não são os mais adequados. O sentimento de vingança do presidente da Câmara contra a presidente não pode ser motivo para iniciar um procedimento  dessa magnitude. Mas isso já não tem relevância. O processo começou, avançou e está caminhando para um desfecho. Dilma terá toda a oportunidade para se defender no Senado, apresentar seus argumentos e deixar que a democracia prevaleça. A atitude do deputado Waldir Maranhão, enquanto presidente interino da Câmara, apenas tumultua  perigosamente um processo que já estava caminhando dentro da normalidade, com aval do Supremo. 

Até mesmo os apoiadores da presidente sabem que, por questão de bom senso, o melhor para o País é a instalação de um novo governo. Afirmar que o vice-presidente Michel Temer não tem legitimidade é um argumento fraco. Ele foi eleito junto com Dilma. Cada voto dado a Dilma foi dado também a Temer. Ao eleger Dilma, o eleitorado assumiu que, em caso de ausência ou impossibilidade por parte de Dilma, a Presidência ficaria a cargo do vice.  

Vamos supor que as medida de Maranhão prevaleçam. O processo de impeachment será devolvido à Câmara, que realizará nova sessão para decidir sobre a admissibilidade. Nesse caso, a derrota de Dilma, certamente, será ainda mais acachapante. E o País teria apenas perdido tempo com o prolongamento desnecessário da paralisia administrativa que empurra a Nação para o abismo. 

No entanto, mesmo que Dilma revelasse uma ainda desconhecida habilidade de articulação entre os parlamentares e obtivesse os votos necessários para permanecer no cargo, ainda assim, não haveria base para suficientemente coesa para garantir a governabilidade, a rápida tramitação e aprovação das medidas fundamentais ao enfrentamento da crise. Mais do que nunca, é preciso união por parte dos parlamentares nas Casas Legislativas. E isso não ocorrerá enquanto Dilma estiver no Poder. Já não importa se houve pedaladas ou se há golpe em andamento, a “onda”, ou melhor, o tsunami já se formou e não pode ser freado. Muito provavelmente, Waldir Maranhão entrará para a história como um trapalhão, que prestou um desserviço ao País, metendo os pés pelas mãos no momento em que o bom senso era mais do que necessário.