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Editorial

Um Estado em transição

09/05/2017 às 21:36 - Atualizado em 09/05/2017 às 21:37
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O Amazonas começou ontem, com atraso de alguns dias, uma inédita fase de transição imposta pela cassação do agora ex-governador José Melo e do ex-vice-governador, Henrique Oliveira. Cabe ao governador interino David Almeida a missão de conduzir esse processo da melhor forma possível. As ações que serão tomadas nos próximos dias darão o tom da gestão de Almeida.

Um grande prejuízo para o Estado seria a paralisia administrativa, que seria extremamente danosa à população, que precisa dos serviços como saúde, segurança, educação e arrecadação, entre outros,  funcionando a contento e sem sobressaltos. O pagamento dos servidores precisa continuar em dia e compromissos assumidos pela gestão anterior, honrados. Como o reajuste e as promoções para os policiais.

Ao mesmo tempo, é preciso que se esclareçam os pagamentos feitos pelo ex-governador a fornecedores diversos e que custaram mais de R$ 200 milhões aos cofres do Estado. Se houve irregularidade, ela precisa ser corrigida para que o Estado recupere esses recursos e mantenha as contas públicas equilibradas.

Logo em seu primeiro discurso no posto de governador, David Almeida afirmou que faria mudanças nas secretarias, a fim de deixar a administração com a sua “cara”.

É natural que haja algumas mudanças no secretariado. Se o governo tem metas a cumprir no curto período que durar a gestão, é normal que o chefe do Executivo preencha os cargos estratégicos com pessoas de sua inteira confiança. David Almeida tem a grande oportunidade de dar a maior demonstração de competência e espírito republicano de sua carreira política. A principal tarefa dele será manter o Estado funcionando para que as eleições para escolha do novo governador ocorram de forma tranquila.

Vamos esperar que ele não se deixe levar pelo poder temporário que tem em mãos, que não se dobre diante da bajulação e do assédio dos oportunistas.  Um passo nesse sentido seria acatar a sugestão do deputado Serafim Corrêa (PSB), que recomendou máxima transparência em seus atos à frente do governo. Além disso, alguns projetos iniciados na gestão passada precisam ser avaliados com atenção para definir de que forma ele pode contribuir, ou se é melhor deixar isso a cargo da próxima gestão. É o caso dos atos referentes à nova matriz econômica. Algumas coisas, inevitavelmente, serão paralisadas, como as discussões em torno da revisão dos incentivos fiscais do Estado. Enfim, e acima de tudo, desejamos sorte e prudência ao governo interino.