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Editorial

Um Governo no limbo

21/04/2016 às 23:02
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O País vive um hiato administrativo como há muito tempo não se via. Temos um governo que, todavia, não pode governar em face da queda iminente. Matérias importantes como a redução da meta fiscal para 2016 – que se não for aprovada urgentemente, pode causar a paralisia de fato da máquina administrativa – podem ser empurradas para depois da decisão sobre o início do impeachment, o que só deve ocorrer em maio. Pior é ver um assunto de tamanha seriedade ser tratado como arma para pressionar o Senado a “correr” com o processo. É o que vem fazendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Apenas esperando o afastamento ser determinado pelo Senado, a presidente Dilma vive o pior momento da gestão petista. Determinada a não renunciar, embarcou para Nova York onde pretende dar continuidade a sua estratégia de autovitimização, uma atitude inócua que em nada contribui para a batalha que terá que enfrentar para salvar seu mandato.

Com maioria no Senado determinada a votar pelo afastamento de Dilma, a única saída para a governo seria partir para o corpo a corpo com os parlamentares. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo fez um ensaio disso no início desta semana, quando reuniu-se com alguns senadores e foi interpelado por uma questão fundamental: se há realmente um golpe em andamento no País, por que o tema ainda não foi levado ao Supremo Tribunal Federal para que se apontasse a ilegalidade? O questionamento seria em torno do alegado crime de responsabilidade. Afinal, houve ou não cometimento de crime?

Uma resposta negativa do Supremo enterraria o impeachment. Por outro lado – e é o que teme o governo – a resposta positiva seria a decretação da derrota. Barboza nada respondeu aos senadores e o hiato administrativo continuará até que o Senado decida se inicia ou não o impeachment. Em caso positivo, Dilma será afastada por até seis meses, e Michel Temer será o presidente da República. 

Com intuito de permanecer no poder até 2018, o vice já está articulando a neutralização de uma outra alternativa: eleições presidenciais em outubro. A Proposta de Emenda à Constituição já foi elaborada pelo Senado, mas certamente não interessa aos nobres parlamentares nem a Temer, que tem passado os últimos dias fechando acordos para preencher cargos em seu futuro governo.