Publicidade
Editorial

Um governo paralisado

06/06/2017 às 22:59
Show 1077313 jfcrz abr 20.05.2017 9151 1

O julgamento da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era apresentado como saída honrosa ao presidente brasileiro, afirmavam analistas da crise ético-política do País. Os dias seguintes revelaram outros personagens e eventos que tornam esse julgamento uma queda de braços entre o maquinário dos poderes, lamentavelmente como loteria em torno dos votos. Em meio a um Congresso Nacional ajoelhado diante dos acordos feitos, dos conteúdos que revelam a intimidade das relações entre autoridades e empresários na feitura de negócios escusos, nada resta como ‘ honroso’ no rol dos episódios decadentes dessa história de homens públicos.
Do lado de fora, nas ruas das grandes cidades, Rio de Janeiro, e São Paulo, nos dois últimos domingos, acontecem movimentos importantes de reação a esse espetáculo patrocinado pelos representantes dos poderes.  Um número expressivo de brasileiros foi às ruas para se posicionar. É marcante a presença dos jovens nesses atos, a liderança deles na sucessão de falas e a crescente presença de artistas e intelectuais. A reunião desses setores representa a chama acesa por mudanças que não puderam ser construídas a partir do Parlamento manietado até o pescoço por esquemas que envolvem manter a corrupção e os postos de poder nas mãos dos mesmos para assegurar a estrutura que abriga os desvios de conduta e os privilégios.
A defesa da democracia aparece como o fator mobilizador de milhares de pessoas e uma das razões primeiras para elas se colocarem nas ruas e nas praças. Há nessa presença um Brasil que quer mudanças substanciais e não remendos que em seguida desaparecem porque a costura feita usou  linha estragada. É um remendo desse tipo que vem sendo realizado até agora entre setores do Judiciário, da ampla maioria do Congresso Nacional e o atual Governo Federal. A ‘agenda da governabilidade’ sempre acionada como justificativa para alianças espúrias entre os entes do poder e seus braços na iniciativa privada está abandonada em nome de uma ‘agenda-operação’ para salvar mandatos. É falsa a ideia anunciada de que o governo está atuando dentro da normalidade. Não há normalidade em um quadro como o do Brasil na atualidade e sim paralisia de setores estratégicos para a governança. 
Some-se a essa paralisia o desmonte de vários programas que ainda estavam em fase de estruturação, o resultado é grave porque impõe retrocessos nas formas de acesso e de participação de segmentos sociais por décadas mantidos à margem.