Quinta-feira, 02 de Abril de 2020
Editorial

Um número que envergonha o Brasil


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17/02/2020 às 08:13

A população presidiária do Brasil alcançou aproximadamente 1 milhão de pessoas. O número de presídios aumentou embora, para algumas correntes da sociedade, o déficit nesta área deva ser preenchido como forma de enfrentar a violência e a criminalidade. A superlotação nesses ambientes permanece como mostraram os indicadores divulgados nacionalmente na sexta-feira.

O que permanece como pergunta central é o porquê do fracasso do governo e das instâncias deliberativas da sociedade nesse setor. A ênfase dada nos últimos anos de que a solução é matar, construir presídios e amontoar presidiários em espaços reduzidos responde com o agravamento da situação. As rebeliões em presídios, as chacinas, a falta de controle sobre a movimentação dos presos na maioria dessas casas, se repetem com frequência maior e quase sempre surpreendendo os gestores dos lugares de Norte a Sul do País.

A fotografia revelada é uma grave denúncia sobre a qual as providências tomadas são de repetição de medidas que, no geral, alimentam e dizem sim à realidade atual. A conduta do poder público por ora se caracteriza pelo baixo nível de interlocução e na aposta cega de que uma política de extermínio, como fazem milicianos, é a saída.

Os espaços institucionais de debate sobre a questão foram drasticamente reduzidos e conselhos constituídos pelo pensamento diverso, por pesquisadores desse campo, desmantelados. O vácuo é enorme dando lugar às generalizações e sentenças definidas a partir de um olhar estreito e raso.  O País permanece no patamar de realizar ações que protegem uns poucos e determina a pobreza como a responsável isolada pela criminalização e a violência. Quando se analisa os números também tem cor esse modelo adotado.

Uma nação que tem cerca de um milhão de presidiários não tem o que comemorar, ao contrário, a estatística pede superação dessa nodoa e enfrentamento a ela. O crescimento da população carcerária não pode ser traduzida como eficiência da Justiça e da política de segurança de um País. A expansão denuncia o fracasso dela.


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