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Editorial

Um olho lá, outro cá

22/05/2017 às 21:39 - Atualizado em 22/05/2017 às 21:49
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As atenções voltadas para Brasília e suas conexões nacionais/internacionais são importantes e merecem ser acompanhadas pelos cidadãos com extremo cuidado para não serem burlados. Mas não devem ser ignoradas as questões locais que igualmente são sérias e afetam duramente a vida da população do Amazonas e de Manaus. As incertezas no Estado acompanham a rotina do funcionalismo público, da cadeia do setor de serviços direto e indireto que atua com o governo estadual, da população usuária dos serviços estatais.

Em Manaus, alguns serviços estão ampliando o nível de precarização. Um deles é o de transporte público. As filas ou os amontoados de pessoas nos pontos de ônibus ou no que deveriam ser aumentam; os veículos demoram cada vez mais para fazer o percurso; e os passageiros são tratados como se estivessem recebendo favor e não pagando, alto, para ter um sistema operacional de forma decente. A quantidade de ônibus em pane nas ruas da cidade chama atenção pela frequência enquanto os setores de fiscalização silenciam deixando as soluções para os usuários.

Causa estranheza que após reajustes no valor da tarifa, sempre justificado como necessário para melhorar a qualidade do serviço e ampliar a frota, o transporte público de Manaus permaneça precário e motivo de uma das principais reclamações usuárias. Alia-se a esse dado a insegurança que faz reféns tanto os passageiros quanto os trabalhadores desse tipo de transporte. As iniciativas para conter os ataques a ônibus e oferecer garantias aos usuários e aos trabalhadores (motoristas e cobradores) não  avançam, ficam no discurso enquanto o medo toma conta e as vítimas viram números sem importância.

A questão é que o setor de transporte público de Manaus parece andar para trás. As paradas ou abrigos são retratos dessa política governamental de transporte público. Eles funcionam para outros fins menos como um espaço para passageiros submetidos ao sol e à chuva enquanto aguardam que o transporte chegue e possa levá-los.

Os desvios de conduta locais que produzem sofrimento nos habitantes da cidade, a omissão de gestores públicos e a lentidão das instâncias de fiscalização são demonstrações graves de condutas de improbidades e prevaricações. Não podem ser abafadas pelos acontecimentos de Brasília. Em muitos fios, o que tem foco em Brasília faz conexões com o que acontece por aqui. Dinheiro e condutas desviados, população vivendo com serviços públicos ineficientes e, por vezes, inexistentes.