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Editorial

Um país paralisado

24/05/2018 às 21:29 - Atualizado em 24/05/2018 às 22:28
Show gasolina

A falta crônica de planejamento em todos os aspectos, e não apenas do atual governo, mas de todos os outros que o precederam, conduziram o País à situação caótica causada pela greve dos caminhoneiros. A raiz de todo o problema está no sistema tributário brasileiro, cheio de distorções incompreensíveis. Como um item tão fundamental como os combustíveis não é tratado com a importância que tem? Como é possível que seja tributado como um produto supérfluo e não como item de primeira necessidade? A lógica do governo federal, e também dos estaduais, é a de que, como é muito necessário e tem consumo garantido, a alta tributação é garantia de ótima arrecadação.

Nos tempos de crise que o País enfrenta, era hora de rever essa lógica torta. O governo Temer perdeu a oportunidade de prestar esse serviço à Nação. Para atender ao empresariado que o apoiava, priorizou uma reforma trabalhista questionada pelo Judiciário e por entidades sindicais, quando poderia ter realizado a reforma tributária, beneficiando todo o País e dando uma contribuição real para a superação da crise.

Mas ao invés disso, o que se viu foram iniciativas que oneraram ainda mais a gasolina, o álcool e o diesel. Até o ponto em que se tornou insuportável, não só para os caminhoneiros, mas para todos os brasileiros: taxistas, motoristas por aplicativo, o cidadão que usa seu veículo para trabalhar, o cidadão que não tem veículo mas também sofre com os altos preços dos produtos, resultado dos fretes cada vez mais caros. Todos sofrem.

Além da necessidade urgente de uma reforma tributária e de uma mudança de tratamento em relação aos combustíveis, os efeitos da greve dos caminhoneiros em diversos setores da economia nacional revelou outra fragilidade do País, o fato de que o transporte no Brasil depende fundamentalmente do modal rodoviário. Um equívoco histórico, considerando as condições do território. Com uma costa gigantesca, o transporte por cabotagem é pouco explorado; a malha ferroviária é incipiente, apesar de ser um modal mais barato e menos poluente. A dependências das estradas é tamanha que bastaram quatro dias de paralisação dos caminhoneiros para  que a Nação ficasse de joelhos. A quem interessa essa dependência? Até quando ela vai perdurar?