Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
Editorial

Um projeto para a Amazônia


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04/09/2019 às 08:15

O governo federal vem aos poucos mudando a postura em relação à Amazônia, como demonstra a comitiva de  ministros que esteve na região desde o início da semana, mantendo conversas com governadores e lideranças regionais. A proposta é, além de mostrar que não há inércia em relação ao problema das queimadas, colher sugestões dos governadores da Amazônia Legal a respeito de propostas de políticas para a região.

Saem os questionamentos a respeito de dados oficiais disponibilizados por órgãos oficiais como o Inpe; saem acusações até agora infundadas de que ONGs estariam ateando fogo na floresta, e entram o diálogo, a busca por parcerias, a procura por soluções ao mesmo tempo em que as Forças Armadas unem esforços com instituições locais para combater as queimadas. E não poderia ser diferente em face da pressão nacional e estrangeira diante do aumento acentuado tanto do desmatamento quanto dos focos de incêndios na floresta.

Não poderia ter sido esta a postura desde o início da crise ambiental? Se fosse, certamente a imagem do Brasil não estaria tão arranhada como está. E isso levanta uma outra preocupação que precisa ser considerada pelo governo. Apesar de não ter havido sanções por parte de países estrangeiros - possibilidade que chegou a causar justificado temor no Planalto e entre os representantes do agronegócio - é inegável um movimento de boicote contra produtos brasileiros, com participação de empresas e consumidores, principalmente na Europa. Em Oslo, capital da Noruega, por exemplo, consumidores estão deixando de consumir café de origem brasileira “em respeito à floresta”. Isso sem falar nos importadores de couro que suspenderam novas encomendas do produto nacional. Essas atitudes não podem ser encaradas com verborragia, mas com máxima seriedade, antes que sejam replicadas em outros mercados, com foco em outros produtos.

O Brasil precisa urgentemente de uma estratégia para reverter essa imagem negativa e suas consequências para a corrente de comércio. Um passo fundamental é mostrar para o mundo que existe um projeto de desenvolvimento para a Amazônia, que mantém a floresta preservada, que respeita as populações tradicionais e que prima pelas práticas sustentáveis. O problema é que esse projeto ainda não existe, mas precisa ser desenhado o mais rápido possível.


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