Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
Editorial

Um sacerdote da Amazônia


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14/10/2021 às 06:30

A morte do missionário Humberto Guidotti, no dia 11 deste mês, e o tamanho da repercussão dela demostra um pouco da importância do religioso no âmbito da Amazônia e do Amazonas mais especificamente. As populações amazônicas por mais de três décadas tiveram no religioso uma figura forte, determinada e comprometida com a defesa de seus direitos.

Pe. Guidotti não apenas falava em suas homílias que atraiam um grande número de católicos e não católicos de todas as idades para ouvi-lo pregar e cantar. Era normal a Igreja Menino Jesus de Praga, na Chapada, ficar completamente lotada. O sacerdote agia freneticamente. Andou pelo Amazonas, fez a primeira morada no então distrito de Iranduba e dali chamou atenção das autoridades, da imprensa e de intelectuais sobre o sofrimento das comunidades pobres do lugar, os desmandos de autoridades governamentais e legislativas, denunciou a violência.

Em Manaus, o sacerdote atuou em inúmeras frentes, dialogando, buscando alianças com os diferentes segmentos da sociedade, inaugurando espaços de aprendizagem e de cidadania. São incontáveis os atos de Pe. Guidotti realizados na capital do Amazonas para fazer com que “o povo de Deus” tivesse direitos efetivos e vivesse uma vida mais digna. Nesse caminhar, recebeu a todos com a mesma intensidade e esperança de ver bons trabalhos acontecendo e a população ampliar o seu olhar crítico e solidário para fazer funcionar bem os poderes instituídos.

População negra, povos indígenas, mulheres, juventudes, LGBTQIa+, alcoólatras, catadores e catadoras de lixo, as crianças, esse era o povo do sacerdote e com ele caminhou no Amazonas, no Maranhão e nos países atingidos pela pobreza na África, como Moçambique onde atuou como professor sem deixar de lado o trabalho sacerdotal. Leitor voraz, intelectual brilhante, o religioso fazia dos livros escolhidos outra mania e gostava de compartilhar as ideias dos autores com os que lhe acompanhavam nas reuniões.

Por muitas vezes, fez dessas ideias fermento para animar os encontros, debater possibilidade de superar a fome de comida e de participação. Não são somente os Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH), em Manaus, o Grito dos Excluídos, o Movimento de Reintegração dos Hansenianos, o Comitê de Ética na Política que tiveram em Guidotti um semeador e militante. É uma vida dedicada a servir o povo, com lealdade e vigor impressionante. Este é momento de agradecer pela existência desse missionário e por sua dedicação ao Amazonas e a Manaus.  


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