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Editorial

Um setor estratégico

05/10/2017 às 21:55
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A imprensa, da forma como a praticamos há quase 70 anos em A CRÍTICA, tem o dever de mostrar a real situação em que se encontra aquelas áreas da administração pública em que a anormalidade se tornou, miseravelmente, a regra.

 Nesta missão, entre o segundo turno da eleição e a posse do novo governo, nos dedicamos a mostrar que mais de 60 mil irmãos amazonenses padecem na fila para serem consultados por um médico ou serem submetidos a procedimentos cirúrgicos. O número espanta, mas é o real.

Não por acaso, após ler nossa reportagem, o governador Amazonino Mendes foi as suas redes sociais para mostrar indignação com o caso e, após a posse, tornou o setor uma de suas prioridades.

No entanto, não se resolve um problema desta magnitude rapidamente, posto que o desmantelo não foi construído igualmente rápido. Foi um trabalho de longa duração e de persistente ataque aos cofres de um setor público que é enormemente estratégico, uma vez ser a saúde do povo uma das nossas maiores riquezas. Povo doente, Estado sem futuro.

 Neste sentido é bom lembrar que a construção do desmantelo do setor de saúde teve contribuição significativa de uma das piores chagas nacionais, a corrupção. Somente nos inquéritos decorrentes da Operação Maus Caminhos, deflagrada pela Polícia Federal, sumiram pelo ralo R$ 110 milhões, dinheiro que financiou os faraônicos sonhos de um médico e sua quadrilha inserida nos negócios do Estado. Não foi pouca coisa!

 Récem empossado, pela segunda vez, no cargo de secretário de Estado da Saúde, Francisco Deodato, declarou ontem que neste ano a Susam terá um déficit    de R$ 400 milhões ao final deste ano, valor que representa R$ 30 milhões a mais que o orçamento completo da pasta no último ano do terceiro governo de Amazonino Mendes, em 2002.

Como se disse, muito longo foi o caminho até o setor de saúde entrar nessa espiral, portanto em boa hora o governo aponta que tirar a saúde das páginas policiais será uma prioridade, pois assim conseguirá ter os recursos necessários para investir nos equipamentos e nos recursos humanos que vão dar conta de trazer de volta a saúde do nosso sofrido povo.