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Editorial

Um triste aniversário

24/10/2017 às 20:55
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A cidade de Manaus festejou ontem seus 348 anos de fundação entregue a um de seus períodos de maior abandono pelo poder público de plantão. Gestor da cidade e recém-reeleito, o prefeito esquece promessas de campanha, inventa coisas que não prometeu, vive de passeios e fantasias de candidatura presidencial enquanto nas ruas, avenidas, becos e vielas a população está entregue a própria sorte e sem a assistência devida pelas autoridades.

 Sequer a festa de aniversário foi digna da história da cidade e da valentia de seu povo. Um arremedo de festa se comparado com o que havia antes deste alcaíde demodè chegar ao poder e encher a cidade de propaganda e de problemas, não exatamente nessa ordem de grandeza.

E para onde o contribuinte olhar vai perceber o desmazelo e o fim da urbanidade na cidade que outrora era sorriso e hoje desgraçadamente vive  banguela. Tome-se o caso do transporte público: prometeu não aumentar a tarifa de ônibus, mas jogou-a para estratosféricos R$ 3,80, sem a devida contrapartida de bons serviços, já que não tem capacidade ou coragem de cobrar dos empresários. Tome-se a confusão do sistema de táxi, uber e mototáxi. É um inferno só, sendo esta última modalidade especializada em ocupar espaços que a ela não pertencem e o a prefeitura nada faz para disciplinar o sistema. Não há tarifário, não há pontos, não há fiscalização, enfim o mototaxista faz o que bem quer com as calçadas, com o bolso do passageiro e nem a mãe joana temos para reclamar.

Na infraestrutura urbana é um deus nos acuda que só é suportável pelo bom humor e a ironia típica dos manauenses que acordam cedo para trabalhar e não ficar enrolando nos gabintes oficiais. É o que acontece, por exemplo, na rua Jauaperi, no bairro Novo Aleixo. Lá os moradores levam em tom de brincadeira o sufoco diário de transitar por uma via pública esquecida pelas máquinas e equipamentos da prefeitura. São anos sem tapa-buraco, mas o bom humor resiste.

Se olharmos para o trânsito a confusão é ainda maior, pois a engenharia especializada parece ter tirado férias ou tem um plano secreto de transformar a cidade num grande congestionamento.

Enfim, Manaus merecia um aniversário melhor, presentes melhores na forma de bons serviços, mas infelizmente a realidade é outra.