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Editorial

Uma 'guerra' sem vencedores

13/07/2018 às 23:04
Show donald trump

A guerra comercial deflagrada pela política protecionista de Donald Trump, que resolveu sobretaxar produtos chineses e teve como resposta medida idêntica em relação à soja norte-americana, é uma disputa que, no longo prazo, não terá vencedores. Pelo contrário, vai trazer prejuízos para todas as partes, inclusive para o Brasil, apontado inicialmente como nação que pode ser favorecida pelo estica e puxa das duas superpotências.

Em tese, o País pode colher benefícios com a retaliação dos chineses a Trump, com a ampliação da procura pela soja brasileira, o que, de fato, já está acontecendo. Por outro lado, é preciso levar em consideração outras variáveis. Ao atender o gigantesco mercado chinês, pode haver desequilíbrio em relação a outros parceiros comerciais do Brasil. Alguns mecanismos básicos de economia vão entrar em ação: o aumento da procura tende a causar os aumento nos preços da soja brasileira, e também dos produtos derivados, como o farelo de soja, que ficará menos competitivo em relação ao produto de outros países, como os Estados Unidos, causando perda de mercado.

O que pode ocorrer é um efeito em cadeia com repercussão em itens sensíveis do mercado de commodities, podendo transformar o que seria um “negócio da China” em algo ruim não só para o Brasil, mas com reflexos nocivos em toda a economia mundial.

Essa é a opinião de vários especialistas. Eles consideram também que situação semelhante deve atingir outros produtores além do Brasil, como Argentina e Austrália. os especialistas divergem sobre a extensão desses efeitos, mas concordam em um ponto: políticas protecionistas são, por definição, negativas, mas tomam proporções alarmantes quando praticadas por superpotências como China e Estados Unidos.

Trata-se de uma prática que nasceu junto com o capitalismo: nações elevam as taxas sobre produtos de outras para favorecer seus próprios produtores. O problema é que isso causa desequilíbrios no comércio internacional com consequências extremamente danosas, principalmente considerando que a economia global ainda não está plenamente recuperada da crise global que atingiu a todos, inclusive o Brasil. O  tema precisa ser debatido nos fóruns competentes e o bom senso precisa prevalecer, para o bem de todas as nações.