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Editorial

Uma luta pela humanidade

08/03/2018 às 21:32
Show mul her

Os números lançados em profusão ao longo da semana e ontem, 8 de março, reafirmam a necessidade de mudanças profundas na sociedade brasileira e mundial. Não há como negar a violência em várias modalidades exercida contra a mulher. Faz-se necessário, nessa batalha por direitos, pelo respeito à diferença e à igualdade de acesso, de remuneração justa para cargos iguais exercidos por homens.

Em praticamente todas as áreas, as mulheres estão presentes e, com frequência, numericamente representam a maioria, é assim nas universidades, nas escolas dos níveis médio e fundamental, nos hospitais, postos de saúde, no gerenciamento de famílias no Norte e Nordeste brasileiros, como pescadoras, agricultoras, microempresárias, catadoras de lixo, comunicadoras, jornalistas.  As políticas públicas deveriam, naturalmente, expressar as marcas dessa presença e com elas fundamentar suas práticas.

Os dados oficiais demonstram políticas públicas debilitadas, descontínuas e desiguais quando comparadas regionalmente ou entre os Estados e as cidades. Há situações que já deveriam ter sido superadas como a garantia e manutenção de estrutura de proteção nas cidades. Um olhar nas cidades amazônicas para além daquelas mais populosas que estão dentro do circuito urbano identifica facilmente a ausência dos agentes que deveriam cuidar da operacionalização das medidas protetivas.

O abandono a que estão submetidas milhares de mulheres, o silenciamento sobre as violências que sofrem, a distância para suas condições ganharem repercussão constituem outro muro e uma das feições do modo de operação do sistema de violência institucionalizado. As conquistas até agora realizadas é resultado direto da luta contínua das mulheres, das estratégias que criam e recriam, do esforço gigantesco para formar alianças além de suas comunidades, de suas cidades, e estabelecer bandeiras que passam a ser referência nesse grande movimento.

Mais ainda: pelas lutas das mulheres passam inúmeras lutas da humanidade, como a implantação e melhoria da democracia no mundo, o respeito aos negros e negras, aos indígenas, aos travestis, aos trans, à Natureza colocada e compreendida como Mãe e a casa comum.  São as mulheres que estão à frente de trabalhos para preservar e conservar sementes, a água, as árvores, enfim para instituir outra forma de relacionamento dos humanos com o planeta Terra. A violência generalizada tenta extinguir essa luta matando mulheres, sequelando-as. Elas continuam a caminhar e a brigar por mudanças.