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Editorial

Uma sangria nacional

31/05/2016 às 21:51
Show capacarteira

O desemprego atingiu na atual quadra brasileira a marca de 11,2% da população economicamente ativa. O número, fechado em abril e anunciado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a maior registrada desde 2012.

Ainda de acordo com o IBGE, o instituto que traduz o Brasil em números e completou 80 anos no último domingo, no último trimestre de 2015 a desocupação, o outro nome para desemprego segundo os estatísticos, foi de 9,5%. Comparado com o primeiro trimestre de 2015, a taxa deste ano cresceu 3,2 pontos porcentuais, também um número inédito na série histórica do IBGE, que aponta por 17 meses seguidos o crescimento da taxa de desemprego.

Mais do que ser um número negativo nas estatísticas da agenda nacional, o desemprego é uma chaga na vida das pessoas e gera um ciclo destrutivo na economia de uma nação e na autoestima do cidadão. Sem emprego, ele se transforma numa espécie de zumbi caminhando de um lado a outro em busca de uma recolocação que está cada vez mais difícil em fase da crise econômica, turbinada pela crise política. Ao fim do benefício do seguro, o desempregado passa a fazer aquela que foi chamada a escolha de Sófia, tendo de optar entre comer ou pagar dívidas. A opção clara e lúcida implica em deixar de pagar as dívidas, que levam o credor a insolvência por não poder ele próprio quitar seus compromissos e renovar estoques com a indústria, que por sua vez deixa de produzir e ao final toda essa cadeia deixa de pagar os impostos que garantem a prestação pelo Estado dos serviços públicos de educação, saúde, segurança e previdência. 

É, como se disse, um ciclo destrutivo que só pode ser revertido na atual quadra brasileira quando estacarmos a sangria recuperando a credibilidade do País, que hoje tem uma presidente afastada e um presidente interino que padece das mesmas dores que levaram a presidente a perder o cargo.

Em suma, essa sangria na vida nacional, cuja face mais cruel é a do trabalhador desempregado, só vai estancar quando uma solução política foi encontrada para a crise política em que os partidos, todos eles, governo e oposição, nos meteram.