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Editorial

Uma semana para mudar o Brasil

03/04/2016 às 21:52
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O título desse editorial pode fazer parecer que se trata de um texto pró-impeachment, mas não se trata disso. Trata-se apenas dos eventos que estão “engatilhados” para ocorrer a partir de hoje e que têm potencial para mudar, literalmente, a cara do País. É o tipo de situação que o leitor precisa viver com bastante atenção se quiser contar para os filhos e netos que foi, de fato, testemunha da história. Hoje, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, deve manifestar sua decisão sobre a provocação de um advogado a respeito de um pedido de impeachment contra o vice-presidente da República, Michel Temer. Se a minuta “acidentalmente” vazada estiver correta, o ministro deve decidir pela admissibilidade do processo na Câmara, dando início ao processo de impeachment de Temer, pelos mesmos motivos atribuídos à presidente Dilma.

Não resta dúvida que se trata de uma jogada articulada pelo Planalto para colocar Temer em xeque no imenso tabuleiro de xadrez que o País foi transformado nos últimos meses. Mas não deixa de ser uma jogada inteligente. Se Marco Aurélio confirmar a decisão, a Câmara será pressionada a dar andamento ao processo que pode culminar no impedimento de Temer, exatamente o personagem mais diretamente interessado no afastamento de Dilma.

Além disso, hoje termina o prazo para que o governo apresente sua defesa na Câmara, perante a comissão do impeachment na Casa. Mera formalidade, já que o julgamento será político, como já ficou bem claro durante as exposições de acusadores e defensores de Dilma na última semana, quando a truculência, agressões verbais e até físicas tomaram lugar no Parlamento. Após a defesa, o relator da comissão terá cinco sessões para apresentar seu relatório, autorizando a Câmara a, finalmente, votar  contra ou a favor do impeachment da presidente. E isso pode ocorrer ainda nesta semana, uma vez que o relator já deixou claro que não pretende usar todo o prazo legal para apresentar seu relatório.

A pressa se justifica. Quanto mais tempo o governo tiver, mais usará suas armas para arregimentar aliados, com grandes chances de conseguir os 172 votos necessários para  impedir que o processo siga para o Senado. Isso tudo nesta semana. Enquanto isso, o País segue paralisado, à espera do xeque-mate de alguma das partes.