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Editorial

Uma sociedade doente

29/05/2016 às 21:04
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As ações de enfrentamento à violência contra a mulher estão sendo golpeadas em várias cidades brasileiras. Atuam no enfraquecimento da estrutura que vem sendo preparada notadamente nos últimos 15 anos governos descomprometidos com o tema e um legislativo com feição patriarcal, conservador e machista. Ou seja, há um espaço enlarguecido para a produção e realização das diferentes formas de violência contra a mulher com um silêncio não aceitável dos poderes estabelecidos.

Os protestos liderados por mulheres nas capitais, como o que ocorreu em Manaus, são sinais de uma resistência que se mostra cada vez mais necessária e urgente. A apologia à violência contra mulher ganhou reforço no Congresso Nacional onde um número expressivo de parlamentares tem práticas machistas e a Casa não consegue, por seus presidentes, combater essa postura. A tomada de decisão é lenta ou mesmo é ignorada como necessária e legítima. Embora a bancada de mulheres no Congresso Nacional atue com firmeza para fazer valer os direitos e uma linha de respeito nas duas Casas, o que se percebe é o agravamento das relações  com cenas cotidianas de desrespeito às mulheres.

Fora do espaço de representação do poder, os jornais, as emissoras de televisão e de rádio registram, todos os dias, casos de agressões às mulheres e de assassinatos "justificados" pelo ciúme ou porque seus companheiros não aceitam o fim do relacionamento.

A situação tanto no âmbito do Legislativo quanto da família é grave e assim precisa ser vista. Quando se ignora os dados que estão sendo colocados de forma separada sobre agressões e assassinatos de mulheres , os representantes dos governos e dos órgãos que têm a tarefa de garantir os direitos das mulheres à segurança tornam-se cúmplices dos crimes. Entretanto, a questão é dissipada  e nenhum dos agressores se sente pressionado ao contrário, por vezes, são estimulados a manter essa conduta.

Uma sociedade que aceita viver com grau tão elevado de violência contra as mulheres  e poderes instituídos que lavam às mãos a essa realidade deixa evidenciada a sua situação de adoecimento. É fundamental tratá-la e que seja feito o tratamento o mais rápido possível  para que o Brasil supere essa mancha vergonhosa  da sua história. As mulheres merecem  respeito e são portadoras de dignidade..