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Editorial

União contra o sarampo

03/07/2018 às 22:16 - Atualizado em 03/07/2018 às 23:58
Show bebe sarampo

Há menos de dois anos, o Brasil celebrava a erradicação do sarampo, doença que entre as décadas de 1960 e 1980 foi uma das principais causas de mortalidade entre crianças no País, principalmente nos menores de 1 ano. Foi necessária uma ampla mobilização nacional que logrou êxito nas décadas seguintes. Até pouco tempo, era uma doença do passado. Não mais. Bastou um cochilo, um descuido, e o sarampo está de volta de forma amedrontadora. Trazida pelos migrantes venezuelanos, a doença já conta mais casos em Manaus que em Boa Vista, acendendo o alerta vermelho na população e nas autoridades.

O risco da doença foi menosprezado na capital. Diante do crescimento no número de casos suspeitos, a Prefeitura promoveu uma campanha de vacinação falha, pois não conseguiu atingir plenamente os objetivos e o número de casos continuou em curva ascendente. Houve questões técnicas que dificultaram a rápida ação, como falta de pessoal em alguns Núcleos de Vigilância Epidemiológica nas unidades estaduais e desabastecimento de kits para a sorologia de sarampo no Laboratório Central.

Prefeitura e Estado procuram tirar de si a responsabilidade pelo surto que ameaça a capital, mas não é hora de procurar culpados. O momento é de união e de busca imediata por apoio federal para conter o avanço da doença. Não podemos esperar que o sarampo se espalhe para outros Estados para ter o apoio do Ministério da Saúde na rápida elaboração de uma estratégia urgente para evitar uma epidemia. 

A Prefeitura acaba de decretar estado de emergência na capital com intuito de facilitar a aquisição de itens necessários ao enfrentamento da doença. Outra ação imprescindível é a conscientização da população a respeito do problema. A maioria das pessoas nem sabe o que é o sarampo, seus sintomas e suas formas de transmissão. Não há temor, o que explica parcialmente o desinteresse de parte da população pela campanha de vacinação.

Infelizmente, as primeiras vítimas - se for confirmada a ocorrência de sarampo - podem ter sido exatamente duas crianças não vacinadas. O momento é de atenção e, principalmente, de ação articulada. O sarampo é uma ameaça real, mas o quadro de epidemia ainda pode ser evitado. Basta que todos façam a sua parte.