Publicidade
Editorial

União para evitar precedente

29/09/2017 às 22:59
Show temer

A sociedade brasileira tem acompanhado passivamente os novos capítulos da crise política, com a segunda  denúncia contra o presidente Michel Temer tramitando na Câmara e a situação inédita do senador Aécio Neves. Um movimento que já teve início foi a liberação de emendas ao orçamento, favorecendo parlamentares em troca de voto pela rejeição da denúncia da Procuradoria-geral da República. No momento em que o País acumula um déficit primário de quase R$ 61 bilhões até agosto, e o governo admite que fechará o ano com um rombo maior do que se esperava, a distribuição de emendas segue a toque de caixa, totalizando em setembro R$ 801,3 milhões, um montante que só se equipara aos registrados em junho e julho, exatamente quando a Câmara avaliava a primeira denúncia contra o presidente.

Ainda assim, com uma aprovação de apenas 3% dos brasileiros, Temer se mantém firme no cargo, sem precisar se preocupar com o barulho da ruas, estranhamente caladas, nem com movimentos anti-corrupção,  empenhados que estão em fiscalizar exposições artísticas.

Com tais fatores a seu favor, tudo indica que Temer deve mesmo concluir o mandato iniciado por Dilma Rousseff em 2014. A denúncia em tramitação na Câmara deve ter o mesmo destino da primeira: rejeição por maioria absoluta de votos dos parlamentares.

Esses, aliás, vêm atuando com uma demonstração de corporativismo extremamente coeso. É o efeito “eu sou você amanhã”. Os crimes dos quais Temer é acusado envolvem também a cúpula do PMDB e diversos aliados. O mesmo ocorre no caso de Aécio no Senado. Com muitos senadores investigados, a medida que o Supremo aplicou ao senador mineiro pode muito bem recair sobre outros no futuro próximo. Nessa situação, com todos no  mesmo saco, caem as divergências ideológicas e quaisquer outras que poderia haver; e todos atuam de maneira uniforme para defender Aécio e evitar um precedente que, para eles, pode ser uma grande ameaça.

Enquanto isso, tanto o Legislativo quanto o Executivo seguem engessados - mais preocupados em sobreviver -, sem conseguir avançar nos temas que o País precisa para acelerar a recuperação da pior crise das últimas décadas.