Sábado, 19 de Outubro de 2019
Editorial

União pela amazônia


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14/09/2019 às 08:46

A iniciativa dos governos estaduais em buscar, por conta própria, recursos para promover o desenvolvimento e preservação da Amazônia é louvável, principalmente por que há interesse por parte de organismos estrangeiros em prover esses recursos, a despeito dos desgastes recentes entre o governo federal e lideranças internacionais. Esses recursos são necessários, inclusive para ações básicas como as operações de fiscalização do Ibama, que está, assim como praticamente todas as instituições federais, enfrentando sérias restrições orçamentárias.  

Por outro lado, também expõe a fragmentação entre governos estaduais e federal, o que é ruim para todos. O ideal seria esforços concentrados de todos os interessados na busca por recursos visando um plano conciso e unificado de desenvolvimento regional. Mas esse plano ainda não existe, e mesmo que existisse, não haveria dinheiro para implementá-lo – o País sofre com aperto orçamentário como não se via há muito tempo -, daí que a busca por recursos externos torna-se imperativo. Buscar financiamento externo não significa abrir mão da soberania. A Venezuela está em crise humanitária há anos e consegue manter sua soberania apesar disso. Não são as queimadas na Amazônia que vão motivar intervenções estrangeiras no Brasil. É preciso ter um grau elevado de paranoia para levar esse argumento a sério.

A empreitada dos governadores também pode ter um outro efeito: mostrar que os Estados reconhecem o problema e querem resolvê-lo. Uma postura que pode ajudar a reverter, ou pelo menos amenizar a imagem do Brasil no exterior, que está bem mais queimada que a Amazônia em si. Ontem mesmo o ministro das Finanças da Finlândia, Mika Lintila, afirmou que a União Europeia deveria parar de importar carne bovina do Brasil e considerar até uma suspensão das importações de soja para pressionar o governo brasileiro no combate às queimadas. Há outras propostas como essas em discussão. O simples fato de algo assim ser colocado em debate deveria ser suficiente para acender o sinal amarelo no governo. No agronegócio, já acendeu o sinal vermelho há algum tempo.

O momento deve ser de união. O governo federal deveria se unir aos Estados na busca por recursos e na discussão de propostas concretas para a região.


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