Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021
Editorial

Vacina preventiva contra o HIV está perto


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05/12/2020 às 08:37

Após quase 40 anos e 35 milhões de mortes, o mundo parece estar perto de ter uma vacina contra a Aids, doença que aterrorizou o planeta nas décadas de 1980 e 1990, vitimando pessoas de todas as classes sociais em praticamente todos os países. Até hoje,  as pessoas acometidas pela doença, que segue sem cura, carregam o estigma do preconceito. É fato que a doença ainda é associada à homossexualidade, apesar de acometer pessoas de qualquer orientação sexual.

Desde que foi desenvolvido, o tratamento atualmente adotado para Aids, baseado em antirretrovirais capazes de proporcionar uma vida relativamente normal aos soropositivos, as medidas de prevenção parecem ter perdido a importância. É como se as pessoas de fato não tivessem mais medo de contrair o vírus. Daí o expressivo e preocupante aumento no número de casos no Brasil, especialmente no Amazonas. Entre 2018 e 2019, o Estado registrou alta de 39,7% nos casos diagnosticados de doença, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Governo do Amazonas.

Atualmente, mais de 38 milhões de pessoas em todo o mundo ainda vivem com o vírus HIV. Só no Brasil, as estimativas indicam pelo menos 886 mil pessoas. No Amazonas, 229 pessoas morreram em decorrência do HIV de janeiro a outubro deste ano. Não é à toa que Manaus está entre as cidades que participam da terceira fase da pesquisa realizada por um conjunto de instituições de todo o mundo, no esforço pelo desenvolvimento de uma vacina contra a doença. A fase atual dos trabalhos é a que proporciona maior expectativa. Serão selecionados 3,8 mil voluntários em vários países, sendo 100 de Manaus. A inclusão de Manaus nos estudos deve servir também de alerta. O Estado, especialmente a capital, precisa urgentemente de ações educativas e preventivas no enfrentamento da Aids. Por aqui, a doença segue firme e forte, fazendo novos soropositivos todos os dias. Mas essas ações esbarram no tabu que é abordar a vida sexual das pessoas, algo que precisa ser superado com urgência.

Desde o início da década de 1980, quando foram registradas as primeiras infecções, o mundo alcançou avanços significativos com o desenvolvimento de medicamentos, mas só com uma vacina eficaz será possível sonhar com o dia em que a Aids estará definitivamente no passado. E esse dia parece estar mais próximo.


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