Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
Editorial

Vacina e Politicagem


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19/11/2020 às 06:32

Há alguns meses, diante da pandemia do novo coronavírus, o mundo iniciou uma corrida sem precedentes pelo desenvolvimento de uma vacina. De fato, só haverá alguma normalidade quando a população estiver imunizada a ponto de sairmos do estado de pandemia. Os esforços estão dando resultados, e o que poderia levar alguns anos, ao que tudo indica, será alcançado em tempo recorde. Pelo menos três vacinas já se encontram em estágio avançado de testes e apresentam ótimos resultados, com taxa de eficiência superior a 90%. A coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã, em parceria com a chinesa Sinovac, mostrou eficácia de 97%. A vacina da Pfizer também mostrou ótimos resultados, com eficácia de 95%, assim como o imunizante do laboratório americano Moderna. Os testes ainda não terminaram mas se encaminham para a reta final. Todas essas vacinas, além de outras em desenvolvimento adiantado, devem estar disponíveis para o mercado já no início do próximo ano.

Diante da urgência que o momento exige, com centenas de mortes diárias em decorrência da Covid-19 no Brasil, seria natural uma ação articulada entre governo federal e governos estaduais para definir a vacina que será usada e desenvolver uma estratégia de vacinação em massa de abrangência nacional. Infelizmente, não é o que se vê. Diante da omissão do Ministério da Saúde, cada estado se vira para garantir vacina para sua própria população, enquanto o presidente da República atua diretamente para desestimular a imunização.

É inaceitável que algo de tamanha relevância seja usado como arma política para atingir objetivos eleitoreiros. Os movimentos antivacinação patrocinados até mesmo por lideranças políticas de relevo refletem um nível de desinformação absurda que precisa ser combatida. Mais do que nunca, o bom senso precisa prevalecer.

Autoridades precisam colocar a mão na consciência e evitar a politização da vacina. Os aspectos técnicos devem se sobrepor aos arroubos políticos e inclinações ideológicas. O país precisa avaliar tecnicamente qual ou quais das opções é mais viável, considerando aspectos como eficácia, preço e rapidez na produção e disponibilização para o mercado. Preconceitos e preferências políticas devem ser postas de lado. Quando se trata de saúde pública, não há espaço para politicagem.


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