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Editorial

Valorizar nossa cultura

05/11/2018 às 07:04
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Na semana em que se comemora o dia Nacional da Cultura, uma das manifestações artística de maior peso no Amazonas, o Festival Folclórico de Parintins, pode se tornar patrimônio cultural do Brasil. Nada mais justo, considerando que o evento – apesar dos efeitos da grande exposição midiática – é uma manifestação com raízes puramente populares, que evoluiu de tradições tipicamente brasileiras. É momento de celebramos nossa cultura, tão rica e tão maltratada, inclusive por nós mesmos. 

O valor da nossa cultura terá tanta relevância quanto nós atribuirmos a ela. Infelizmente, parcelas enormes de nosso universo cultural são ignoradas ou relegadas a uma função mítica, como se fizessem parte de um passado distante. A questão indígena é um exemplo claro disso. Exaltados nas apresentações do Festival de Parintins, os índios e sua vastíssima cultura são um tesouro que o Brasil despreza. Enquanto seus costumes são homenageados no bumbódromo, povos como os Maués, por exemplo, sobrevivem de forma miserável, com sua língua e costumes em franco processo de esfacelamento sem que nada seja feito a respeito. As políticas públicas para os indígenas praticamente inexistem e essas populações, muitas delas no Amazonas, são tratadas como cidadãos de segunda categoria. O orgulho que se exibe a respeito da cultura indígena, que também é nossa, se restringe aos três dias de festival.

Algo semelhante acontece com a população negra, outro componente fundamental na construção da cultura brasileira. Além do racismo frequentemente nem tão velado de que são alvo, ainda enfrentam uma negação da forma trágica com que foram introduzidos no País, através da escravidão, com consequências dramáticas em sua inserção na sociedade. As ricas manifestações religiosas dos negros também são alvos de preconceito, outra mancha na colcha de retalhos que é a cultura em nosso País.

O Brasil precisa tomar ciência de sua própria riqueza cultura. Isso é feito com educação e também com políticas públicas adequadas. O Brasil começa a viver um novo momento no cenário político, o mesmo se dá no Amazonas. Os novos gestores e representantes que tomam posse em janeiro têm a responsabilidade, entre tantas outras, de promover formas de valorização cultural. Vamos esperar que as mudanças que virão sejam positivas.