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Editorial

Vamos às urnas afinal

03/08/2017 às 23:00
Show urna

Diante de tantos problemas e ineditismo que o atual quadro político trouxe para o Brasil é de se louvar a decisão  do ministro dos Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, acabando com a incerteza sobre a realização da eleição suplementar para o cargo de Governador do Amazonas no próximo domingo.

Será uma eleição atípica, como de resto tudo o que está acontecendo no Brasil desde que a crise política se transformou em crise moral e, de quebra, acelerou o processo da nossa crise econômica. Não é pouca coisa.

E são muitos os ineditismos. A começar pelo impeachment de um segundo Presidente da República em menos de quarenta anos. Nenhuma democracia forte e consolidada passou por isso neste espaço de tempo. Para completar, o currículo do presidente que ascendeu ao poder foi tisnado pela denúncia de corrupção apresentada pela Procuradoria-Geral da República, caso único na história política do País. Como também foi inédito o comportamento dos Congressistas na sessão em que se rejeitou a possibilidade do Supremo Tribunal seguir com a investigação sobre as ações do presidente.

No Amazonas o inedismo também trouxe-nos fortes, fortíssimas, emoções nos últimos três meses. Nunca um governador havia sido cassado nas cortes eleitorais em nossa história. Cassado, impunha-se uma decisão sobre como substituí-lo, mas uma reforma política feita na surdina pelo atual presidiário Eduardo Cunha (PMDB), quando comandava a Câmara Federal, trouxe mais dúvidas sobre o caso.

A legislação anterior impunha eleição indireta pela Assembleia Legislativa quando a vacância do cargo ocorresse no biênio final da administração, como no caso em tela no  Amazonas. A reforma, contudo, mudou isso e uma eleição direta foi convocada pelo Tribunal Superior Eleitoral. A ALE-AM reagiu e foi ao Supremo tentar fazer valer a legislação anterior. Logrou sucesso na primeira investida com a decisão do mesmo Lewandowski determinando a suspensão do pleito até o julgamento de recursos na própria corte eleitoral. A decisão liminar foi derrubada pelo ministro Celso de Mello e ontem o caso acabou encerrado. Vamos às urnas para escolher o governador que administrará a coisa pública amazonense pelos próximos 14 meses. O tempo é curto e Deus queira que nossa escolha seja a melhor.