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Editorial

Velhos problemas

15/08/2017 às 21:47
Show centro manaus

Há tempos um velho prefeito disse que a cidade de Manaus precisava de um “choque de ordem”, uma expressão que ganhou fama e força a partir das gestões do senador Aécio Neves (PSDB/MG) em Minas Gerais na primeira década deste século.

Por choque entendia-se que a ação do poder público sob o comando deste prefeito seria rápida e cirúrgica. Da mesma maneira, ordem era palavra chave para dizer que na gestão dele todos seriam enquadrados e seguiriam a vida respeitando as leis e as normas da cidade maravilhosa que se avizinhava também na propaganda.

Passados tantos tempos o que vemos é que a cidade ordenada rapidamente ainda padece dos mesmos males e a expressão máxima desta mesmice administrativa, em que pese o discurso modernizante, é o Centro Histórico de Manaus.

Ontem foi um dia bem típico desta falta de ordem urbana, e nós de A CRÍTICA mostramos em detalhes como o poder público deixou de ser o protagonista que o choque de ordem prometia. Num só dia camelôs são pegos alugando bancas montadas em calçadas públicas, um prédio histórico da dimensão do castelinho dos Miranda Corrêa, no bairro de Aparecida, quase é destruído pelo fogo e finalmente uma loja, submetida à ordem de tirar a fachada que descaracterizava o casario de uma via central, simplesmente cumpre a ordem e deixa à mostra uma indignidade pintada de negro.

O caso dos camelôs ocupando calçadas nunca foi enfrentado com a firmeza necessária, bem como as promessas feitas a eles - no caso de desistirem de ocupar as ruas - igualmente nunca foram cumpridas à risca. E está ai o shopping T4, pronto e abandonado, para não nos desmentir. É preciso bem mais que locais bonitinhos e eventos sazonais para tirá-los das calçadas. E não adianta criminalizá-los como em certa época ocorreu.

A conservação das fachadas do chamado Centro Histórico também virou uma fancaria. Cada qual faz o que bem entende e o poder público fica sempre dois passos atrás dos que modificam seus imóveis protegidos. Muitas vezes, é forçoso reconhecer, as modificações são feitas sob o manto protetor de licenças incompreensíveis, como aquela que autorizou uma passarela ser construída sobre a Joaquim Nabuco.

Já o caso do castelinho dos Miranda Corrêa, talvez um dos prédios mais bonitos de nossa cidade - é emblemático do mercado livre que não está nem aí para a importância daquela edificação para nós amazonenses.