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Editorial

Venezuelanos no Brasil: solidariedade não tem hora

15/05/2017 às 21:34
Show venezuelanos

Pela primeira vez desde que a crise na Venezuela começou a ter consequências no Brasil, especialmente nos Estados de Roraima e Amazonas, o governo brasileiro se manifestou a respeito de um plano emergencial para acolhimento dos refugiados que estão ingressando no Brasil, fugindo do cenário de desespero que toma conta do país vizinho. A situação dos imigrantes venezuelanos em Manaus e nas cidades de Roraima é péssima, apesar dos esforços de órgãos como o Ministério Público Federal (MPF), secretarias de estado e ONGs.

Finalmente, o governo parece ter ouvido os apelos do MPF e deve anunciar o plano emergencial para lidar com a situação dessas pessoas. O MPF havia recomendado à Casa Civil da Presidência da República, ao Estado do Amazonas, ao Município de Manaus e aos Ministérios da Justiça, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Social e Agrário, a adoção de uma série de medidas para prestar assistência humanitária aos imigrantes venezuelanos. Entre as recomendações, o MPF pede a garantia de abrigo, alimentação, água potável, assistência médica e vestuário.

Ontem,  o ministro da Defesa, Raul Jungmann, confirmou que o plano será elaborado e posto em prática o quanto antes. Tarde demais para a pequena Fernanda Rattia, que morreu com apenas 11 meses de idade, vítima de uma pneumonia agravada pelas péssimas condições em que sua família sobrevive em Manaus. Estima-se que aproximadamente 400 indígenas da etnia Warao estão em Manaus, onde esperam encontrar uma alternativa para sobreviver à implosão social, política e econômica em curso na Venezuela.

Eles estão acampados sob viadutos, pedindo comida e dinheiro nos sinais de Manaus, se prostituindo nas ruas de Boa Vista, dormindo ao relento enquanto a sociedade local os observa embasbacada ou simplesmente os ignora. Algo precisa ser feito com urgência. Essas pessoas precisam ser reconhecidas como refugiados e acolhidas da melhor forma possível.

Na última quinta-feira  houve reunião entre diversos órgãos governamentais sobre o tema. Não há tempo a perder. Centenas de crianças venezuelanas estão agora mesmo doentes, subnutridas, desabrigadas e sujeitas a todo tipo de abusos. Independentemente das ações do governo, este é o momento da sociedade amazonense mostrar solidariedade.