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Editorial

Vidas em risco

02/05/2018 às 20:58 - Atualizado em 02/05/2018 às 22:44
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Lamentavelmente, é muito comum que problemas bastante evidentes só recebam a atenção merecida após uma tragédia. Aconteceu na boate Kiss, que funcionava sem atender condições de segurança, resultando no incêndio que matou 242 pessoas em 2013. Aconteceu também na madrugada de terça-feira, quando um prédio de 24 andares foi tomado pelas chamas e desabou no Centro de São Paulo, deixando 146 famílias desabrigadas. Nos dois casos houve, no mínimo, omissão do poder público, que tem a obrigação de fiscalizar a segurança dos edifícios e interditá-los, se for o caso.

O problema dos prédios abandonados e ocupados de forma irregular também é comum no Centro de Manaus. Em alguns casos, o risco de desabamento é tão evidente que não é preciso ser engenheiro nem arquiteto para saber que a tragédia é apenas uma questão de tempo. Apesar disso, famílias continuam ocupando os imóveis sem que qualquer medida seja tomada. Não cabe o argumento de que “estão lá porque querem”. A obrigação do poder público é interditar os imóveis sem condições de moradia e assegurar que a interdição seja cumprida.

Não basta desocupar, é preciso exigir que os reais proprietários tomem providências, seja demolição ou reforma.

Um exemplo é o edifício que por muitos anos funcionou como Casa do Estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), localizado na Rua Barroso. A situação do imóvel é resultado do descaso com o patrimônio público, mas também é reflexo do déficit habitacional do Estado. Abandonado há anos e sem manutenção, o prédio foi tomado por dezenas de famílias que viram ali a oportunidade de ter um teto para fazer de conta que é seu.

Uma ofensiva eficaz contra essa situação não seria simples. Teria que ser uma ação muito bem planejada e com participação de diversos órgãos para abordar os fatores sociais, econômicos, de infraestrutura e de segurança que deságuam na triste e perigosa situação em que vivem tantas famílias no Centro da cidade. Essas ações precisam ser pensadas rapidamente e iniciadas de imediato. Não é preciso esperar pelos acidentes para se mobilizar em torno do problema. Com vidas em risco, não há o que esperar. É preciso agir.