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Editorial

Violência banalizada

20/01/2017 às 21:33
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A crise na segurança pública que se instalou País, começando pelo Amazonas, desde as primeiras horas de 2017, tem deixado as pessoas com os nervos à flor da pele e levando a situações críticas, com a população reagindo de forma violenta assumindo a posição de juiz e júri contra os suspeitos pegos em flagrante. Ontem, um homem foi detido por populares no bairro Cidade Nova, após suposta tentativa de invasão a uma residência. Ele foi amarrado a um poste de energia e espancado por várias pessoas em plena via pública. Foi salvo pela chegada da polícia, que evitou o linchamento.

Na semana passada, um caso mais bárbaro. Dois suspeitos em uma motocicleta - supostamente em fuga após um assalto - sofreram um acidente ao colidir com outro veículo. Um deles morreu na queda, o outro teve a cabeça golpeada com uma pedra até a morte por um homem que escondeu o rosto com uma camisa. A cena foi gravada por meio de celulares e espalhou-se pela cidade com a rapidez que a internet permite.

Situações como essas expõem um perigo terrível, pois são sintomas do fracasso do pacto social, com o descrédito das instituições, além da banalização da violência.

Pelo pacto social, os indivíduos em sociedade submetem-se à autoridade das instituições e seguem leis definidas por legisladores que os representam. Mesmo que tenham cometido algum crime, não cabe à população ou a qualquer pessoa em particular promover o julgamento e aplicar a punição a quem quer que seja. O acusado deve ser entregue às polícia e seus atos serão submetidos ao Judiciário que definirá a pena cabível, ser for o caso.

O problema é que, em teoria, é tudo muito simples e funcional. A prática vivida diariamente pelas pessoas é outra. O assaltante que é preso, logo volta às ruas - seja por brecha legal, seja por brecha na parede do presídio - e volta a aterrorizar de maneira até pior do que antes. Resolver com as próprias mãos parece uma solução tentadora para muitos. Mas Quem esmaga a cabeça do suspeito com uma pedra comete crime tão ou mais hediondo que o atribuído à vítima. O que a população deve fazer é pressionar pelo bom funcionamento das instituições e cumprimento das leis. A barbárie não resolve nada, apenas promove mais violência e brutaliza a sociedade.