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Editorial

Violência como negócio

10/08/2018 às 07:12
Show novo air o agora

O município de Novo Airão ocupou e ainda ocupa o imaginário de muitos brasileiros e de turistas internacionais como um desses lugares a ser conhecido e vivido, principalmente quando os botos passaram a ser parte de encontros com os visitantes e em sessões de terapias. O noticiário de ontem mostrou uma outra face do município cuja população vive a consequência da disputa de grupos de narcotraficantes.

Troca de tiros e medo espalhado tem em Novo Airão um dos palcos e, infelizmente, é mais um município na lista das cidades amazonenses tomadas por grupos de narcotraficantes. Manaus que já convive com alto índice de violência em várias modalidades ganha a adesão dos demais municípios com a presença e a ação cada vez mais forte de traficantes que estabelecem suas bases nesses locais e atuam na cooptação estratégica e permanente de adolescentes e jovens para os seus negócios ilegais. O número de jovens hoje prisioneiros dessa estrutura é crescente e, em igual medida, os registros de jovens envolvidos e m atos criminosos, presos ou assassinatos.

É um tipo de projeto para a juventude que só tem lugar como manifestação concreta do retrocesso que vive o País e na falta de interesse governamental, da sociedade e do empresariado com o presente e o futuro dos jovens. O avanço das organizações criminosas em direção ao interior do Amazonas atinge duramente os mais jovens e a as ações de enfrentamento a essa engrenagem são lentas ou inexistentes ampliando as facilidades de atuação dessas organizações e o enraizamento delas nessas cidades.

O cenário que se apresenta  para todo o Estado do Amazonas é grave e se medidas efetivas não forem adotadas a curto, médio e longo prazo e se refletirem em cada cidade o futuro será pior que o presente, com adolescentes e jovens tendo nesse espaço o caminho de suas vidas e também da morte. A inércia governamental nessa área aparece como o grande sinal e a ela junta-se a lentidão, o abandono quanto as políticas públicas a que as cidades do interior estão submetidas, formam um quadro favorável a expansão dos negócios do crime e da violência em larga escala.