Publicidade
Editorial

Violência contra as mulheres

17/01/2018 às 21:46
Show viol ncia mulher

Após quase 12 anos de vigência da Lei Maria da Penha, ainda é comum que mulheres agredidas sejam recebidas nas delegacias com perguntas do tipo: “ele ficou com raiva por alguma coisa que senhora fez?” ou “isso aconteceu porque a senhora fez alguma coisa...”. Em busca de acolhimento, a vítima é obrigada a presenciar o acolhimento do agressor, em uma inversão de papéis, infelizmente, muito frequente. Isso se deve, em parte, ao despreparo de agentes públicos. A necessidade de melhor acolhimento às vítimas - sem pré-julgamentos ou revitimização de quem precisou reunir muita coragem para finalmente fazer a denúncia - é apontada como algo que precisa ser priorizado pelas autoridades.

É preciso reconhecer o trabalho que o poder público já desenvolve na delegacia da mulher e, mais recentemente, de um anexo na Zona Leste. Mas é inegável que é preciso avançar mais. Já existem programas de treinamento visando o bom atendimento nas delegacias, um trabalho que precisa ser intensificado, uma vez que aprimorar o atendimento não é algo que se faça da noite para o dia.

Esse atendimento especializado também precisa ser levado ao interior, onde não há nenhuma estrutura oficial destinada exclusivamente ao atendimento de casos relacionados à violência contra a mulher. Uma quantidade incalculável de atos de violência pode fazer parte da rotina de mulheres no interior de todo o Estado sem elas tenham a quem recorrer.

Outro ponto de ação deve ser a própria conscientização das mulheres quanto aos seus direitos. Em pleno século XXI, ainda há quem acredite  - inclusive na esfera política - que a mulher é menor que o homem e que, por isso, pode ter um tratamento equivalente a essa “pequenez”. Há quem defenda que, por engravidar, deve ter salário menor, ou que, se é “sustentada” pelo marido, deve submeter-e à vontade dele, podendo se “punida” em caso de desobediência. Ideias velhas que precisam ser desconstruídas de uma vez por todas.

Quanto mais as mulheres tiverem consciência de sua própria individualidade e de seu valor, mais dispostas estarão a não aceitar abusos que ainda fazem parte do dia a dia de muitas delas. Terão coragem de se impor. Mas para isso, precisam contar com uma estrutura de apoio eficiente, que aplique a lei de forma rígida e correta, identificando o agressor e enquadrando-o na forma da lei.