Violência contra as mulheres exige ação já

18/01/2022 às 09:42.
Atualizado em 13/03/2022 às 18:05

O assassinato de mulheres no Amazonas expõe, mais uma vez, o drama a que estão submetidas milhares de mulheres em diferentes idades. A situação demonstra a permanente necessidade de fazer funcionar bem mecanismos de prevenção e de controle evitando a acomodação desse cenário como se fosse parte do cotidiano normatizado.

Não é uma situação exclusiva o que ocorre no Amazonas. Ao contrário, a incidência de feminicídio se verifica em várias cidades brasileiras, o que aponta uma conduta que passa a ser referência no Brasil e, por isso, exige atenção das autoridades governamentais e de outros setores da sociedade.

De modo mais geral, os casos de feminicidio são enfrentados mais pelos movimentos feministas e coletivos de mulheres que se mobilizam, por vezes, precariamente, para pedir justiça e dar visibilidade aos assassinatos. Em Manaus, há aproximadamente um mês, mulheres fizeram vigilância por 24 horas para acompanhar o julgamento de um desses casos e reforçar a memória da vítima e do ato de justiça.

Embora haja maior sensibilização para esse tipo de violência fatal, o Brasil e o Amazonas, especificamente, estão longe de ser considerados lugares seguros para as mulheres viverem. A própria atitude de membros do governo, como a do presidente da República – autoridade máxima do País – marcadamente sexista, contribui para que a postura de violência seja consentida e até mesmo cultuada como maneira de viver.

Nesse panorama, as mulheres e as crianças são alvo e se tornam vítimas diárias. O que pedem os interlocutores e o movimento organizado de mulheres, representantes de organizações dos direitos humanos é que as autoridades públicas vejam o feminicidio como manifestação grave que não pode ser tolerada e deve ser combatida todos os dias. O afrouxamento dos programas oficiais de prevenção e, em alguns casos, o desmantelamento dessas iniciativas, construídas conjuntamente por governos e coletivos sociais, favorecem o quadro de violência contra as mulheres.

Como vários estudos demonstraram, a pandemia da Covid-19 é um dos espaços que ajudou a aumentar os atos de violência e para muitas mulheres, o enfrentamento se dá de forma solitária em ambiente onde faltam recursos financeiros, trabalho, alimento e respeito entre as pessoas. Mesmo com as dificuldades diante do recrudescimento dos casos de Covid-19, das gripes e da dengue, os governos federal, estaduais e dos municípios não podem deixar a questão de fora ou minimizar essas mortes.

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