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Editorial

Violência nossa de cada dia

14/11/2016 às 21:33
Show show garagem 3

O assassinato do motorista de ônibus Feitoza de Amorim Félix, 41, domingo à noite, quando fazia a penúltima viagem do dia na linha 093, destroçou a jovem família do profissional e mobilizou os colegas dele para uma paralisação em protesto contra a violência dentro do sistema de transportes coletivos de Manaus.

Sobre este problema, hoje praticamente uma chaga social em nossa cidade, o  Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) divulgou que, entre janeiro e outubro, as dez empresas que compõem o sistema de transporte público foram 2.767 vezes assaltadas. Em média foram dez assaltos a cada dia, gerando um prejuízo de  mais de R$ 804 mil. Esse cálculo leva em conta apenas os valores roubados das empresas e não a “limpa” que estes bandidos fazem nos passageiros, vítimas secundárias, mas igualmente importantes para eles.

Há tempos uma das soluções previstas para reduzir o número de assaltos é disseminar e popularizar o uso dos cartões, que dispensam o uso do dinheiro para o pagamento da passagem e, com isso, diminuiu a atração para o cometimento de assaltos. No entanto, Manaus, com suas particularidades, nunca conseguiu fomentar este uso adequadamente, posto que muitos usuários preferem pagar diretamente a cobradora, que com a caixa cheia de dinheiro torna-se uma jóia rara para os olhos bandidos.

Outra medida que há tempos se discute em Manaus é a implantação de câmeras de segurança nos ônibus, solução até hoje não implementada na sua totalidade. As câmeras são, efetivamente, um elemento inibidor dos assaltos, posto que o bandido pensa duas vezes antes de atacar um local em que deixará suas digitais e face a mostra para a possível repressão do aparelho estatal.

Por fim, neste particular, bom é analisar a percepção da Secretaria de Estado da Segurança Pública que atribuiu o número crescente de assaltos à crise econômica e ao desemprego. É um visão rasa, pois como o mesmo cidadão pode ser um dia um profissional integrado, trabalhando dignamente, e no outro, desempregado, virar um bandido? Não parece lógico, como também não parece lógico um setor da Polícia Civil dar guarida a um profissional que acaba de ser denunciado por diversos crimes, de assédio moral a sexual, por todos os profissionais que com ele trabalham.