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Editorial

Viver Melhor e um drama

12/03/2019 às 07:42
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Mais uma vez o conjunto residencial Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus, é notícia, desta feita pela precariedade em que se encontram algumas das unidades habitacionais. São rachaduras, muito mofo, infiltrações e parte elétrica danificada que tanto adoecem moradores quanto representam ameaças reais. Os moradores pedem respostas da Justiça. Em 2017, um processo impetrado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas, por meio da Defensoria Especializada em Atendimentos de Interesses Coletivos, aciona o Estado do Amazonas, a Secretaria de Estado de Habitação (Suhab), a União e a Caixa Econômica Federal para que paguem indenização no valor de R$ 133.425. 000,00 por danos sociais causados aos moradores do Viver Melhor 1 e 2. Até agora não há respostas sobre o processo.

Há pouco tempo, o residencial ganhou destaque na mídia pelo clima de medo e violência a que estão submetidos os moradores. A situação de moradia, como retrata matéria de A CRÍTICA, divulgada na edição de ontem, página C3, é outra violência praticada contra quem esperava e pagou para viver melhor. Os problemas nesse conjunto habitacional só se acumulam enquanto as iniciativas de enfrentamento e superação destes não aparecem.

As condições do Viver Melhor expõem tudo que não deve acontecer nos projetos de  conjuntos residenciais. Mas acontece e passa a ser considerado normal. Algumas perguntas aguardam respostas: como é que é dado o habite-se  para essas obras? Quais profissionais assinaram a autorização para que as unidades fossem entregues? Quais órgãos atuam para fiscalizar e exigir que a legislação seja d fato cumprida? Quem responde, no âmbito da Caixa Econômica, pelo projeto?

Para os moradores, a realidade diária é de instabilidade, receio de que possam vir a ser vítimas de desabamento, incêndio ou outros acidentes cuja consequência é imprevisível. Há flagrante banalização da vida dessas famílias por parte das autoridades. O que se esperava, diante de tantas tragédias ocorridas em várias cidades brasileiras, é que os pedidos de socorro, as denúncias e os protestos dos moradores do Viver Melhor fossem ouvidos imediatamente e que por parte dos agentes governamentais partissem iniciativas firmes em curto prazo para desenvolver ações de prevenção e de reparação. Por enquanto, os moradores vivem sozinhos esse drama.